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Ouvido tampado: o que pode ser, como aliviar e quando procurar um otorrino

19 de agosto de 2026/em Audição, Ouvido/por Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello

Revisão médica: Dra. Andrea Pires de Mello, médica otorrinolaringologista, CRM-RJ 52 51976-9/ RQE 33762, chefe do Centro de Pesquisa em Audição e Equilíbrio da Clínica Pires de Mello e mestre pela Fiocruz.

Última revisão médica: 01 de Setembro de 2026. 

Seu ouvido parece estar cheio, abafado ou como se tivesse água dentro? Antes de tentar retirar cera, existe algo importante que você precisa saber: ouvido tampado nem sempre significa excesso de cerume.

A sensação pode surgir por situações relativamente simples, como acúmulo de cera ou mudanças de pressão. Também pode estar relacionada à disfunção da tuba auditiva, infecções, presença de líquido no ouvido médio, alterações da audição e, em alguns pacientes, problemas da articulação temporomandibular. O material clínico que deu origem a este artigo também destaca cera, alterações de pressão, infecções e disfunção da tuba auditiva entre as possíveis causas.

Existe, porém, uma situação que merece atenção especial: quando o ouvido fica subitamente abafado e a audição diminui, principalmente de um lado.

A perda auditiva neurossensorial súbita pode ser percebida inicialmente como sensação de ouvido cheio, pressão, zumbido ou audição abafada. O National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD) alerta que algumas pessoas adiam a procura por atendimento porque acreditam estar apenas com cera, alergia ou congestão. A instituição considera a perda auditiva súbita uma emergência médica.

Fonte científica:
https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness

Por isso, a pergunta mais importante não é simplesmente “como destampar o ouvido?”. O primeiro passo é descobrir por que ele parece tampado.

Resposta rápida

Ouvido tampado pode ser causado por cerume acumulado, alterações de pressão, disfunção da tuba auditiva, otites, líquido no ouvido médio e problemas da própria audição. A combinação dos sintomas ajuda a direcionar a investigação. Se a sensação surgir de repente com redução da audição, principalmente em apenas um ouvido, procure avaliação médica rapidamente para descartar perda auditiva súbita.

Ouvido tampado: o que pode ser?

A sensação de ouvido tampado, também chamada de plenitude auricular, é um sintoma, não um diagnóstico.

Isso significa que duas pessoas podem sentir exatamente a mesma pressão ou abafamento no ouvido e apresentar causas completamente diferentes.

Em algumas situações, existe realmente algo bloqueando o canal auditivo, como uma rolha de cerume. Em outras, o canal está livre, mas alterações do ouvido médio, da tuba auditiva, da pressão ou do sistema auditivo produzem a mesma sensação.

Entre as causas que podem entrar no diagnóstico estão:

  • excesso de cerume
    • disfunção da tuba auditiva
    • alteração de pressão durante voo ou mergulho
    • otite
    • presença de líquido no ouvido médio
    • perda auditiva
    • alterações do ouvido interno
    • problemas da articulação temporomandibular em alguns pacientes

A causa não deve ser determinada apenas pela sensação de bloqueio.

O que os outros sintomas podem revelar sobre o ouvido tampado?

Os sintomas que acompanham a plenitude auricular ajudam o otorrinolaringologista a compreender onde o problema pode estar.

Como o ouvido tampado aparece O que pode estar relacionado
Coceira e audição abafada Acúmulo de cerume
Depois de gripe ou resfriado Disfunção da tuba auditiva ou líquido no ouvido médio
Durante avião, subida de serra ou mergulho Alteração de pressão
Dor e febre Infecção, entre outras possibilidades
Sensação de estalos Alteração da tuba auditiva, entre outras causas
Zumbido associado Necessidade de avaliar audição e outras estruturas
Tontura ou vertigem Investigação auditiva e vestibular pode ser necessária
Surgimento súbito com queda auditiva Perda auditiva súbita precisa ser descartada rapidamente
Dor ou estalos na mandíbula Disfunção temporomandibular pode entrar no diagnóstico diferencial
Apenas um ouvido por período prolongado Merece investigação da causa

Essa tabela não substitui diagnóstico. Ela funciona como um mapa para compreender por que a avaliação precisa considerar o conjunto de sintomas e não apenas a sensação de “entupimento”.

Ouvido tampado é sempre excesso de cera?

Não. Cerume impactado é apenas uma das possíveis causas.

O excesso de cera pode provocar sensação de ouvido bloqueado, redução da audição, dor, zumbido e, ocasionalmente, tontura. Entretanto, esses sintomas também aparecem em outras condições.

Fonte:
https://www.nhs.uk/conditions/earwax-build-up/

Por esse motivo, assumir que todo ouvido tampado precisa de “limpeza” pode levar a tentativas desnecessárias e até a lesões.

Como saber se o ouvido está tampado de cera?

Os sintomas isolados não confirmam uma rolha de cerume.

A maneira mais segura de verificar é examinar o canal auditivo.

Durante a consulta, o profissional consegue observar se existe excesso de cera, qual o grau de obstrução e se há alguma condição que contraindique determinadas formas de remoção.

Água no ouvido pode causar sensação de ouvido tampado?

Sim. Depois do banho, piscina ou mar, a água pode permanecer temporariamente no canal auditivo e provocar sensação de ouvido cheio ou audição abafada.

Em algumas pessoas, o problema também aparece porque a água entra em contato com cerume acumulado e modifica a posição ou o volume dessa cera, deixando o ouvido aparentemente ainda mais bloqueado.

Na maioria das vezes, a água tende a sair espontaneamente. Manter o ouvido voltado para baixo e secar apenas a região externa com uma toalha são medidas simples que podem ajudar.

Não introduza cotonetes ou outros objetos para tentar alcançar a água.

Se a sensação persistir ou aparecerem dor, coceira importante, secreção ou inchaço, é necessária avaliação, pois umidade prolongada no canal auditivo pode favorecer otite externa.

Fonte:
https://www.cdc.gov/healthy-swimming/prevention/preventing-swimmers-ear.html

Cotonete pode deixar o ouvido ainda mais tampado?

Sim.

Hastes flexíveis podem retirar parte da cera mais superficial, mas também podem empurrar o cerume em direção ao fundo do canal e piorar a impactação. Também existe risco de traumatizar o canal auditivo.

Fonte:
https://www.enthealth.org/be_ent_smart/earwax-prevention-faqs/

Por isso, não introduza cotonetes, grampos, tampas de caneta ou outros objetos no canal auditivo para tentar “destampar” o ouvido.

Por que o ouvido fica tampado depois de gripe, resfriado ou rinite?

Uma das estruturas importantes nesse cenário é a tuba auditiva, também conhecida como tuba de Eustáquio.

Ela conecta o ouvido médio à região posterior do nariz e participa do equilíbrio de pressão e da ventilação do ouvido médio.

Quando essa estrutura não funciona adequadamente, pode surgir:

  • sensação de ouvido cheio
    • pressão
    • estalos
    • audição abafada
    • desconforto
    • zumbido em alguns casos

O consenso internacional sobre disfunção da tuba auditiva reconhece plenitude auricular, sensação de pressão e estalos entre as manifestações importantes da condição.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26347263/

O que gripe e rinite têm a ver com isso?

Infecções respiratórias e processos inflamatórios nasais podem interferir temporariamente no funcionamento da tuba auditiva.

O paciente pode perceber que, depois de uma gripe ou resfriado, o nariz melhora, mas o ouvido continua abafado por algum tempo.

Em outros casos, pode haver acúmulo de líquido no ouvido médio, situação que também altera a transmissão do som.

Se o sintoma persiste, principalmente com redução auditiva, dor ou outros sinais associados, vale investigar.

Toda disfunção da tuba auditiva significa que ela está obstruída?

Não.

Existem diferentes tipos de disfunção da tuba auditiva. Na forma obstrutiva, existe dificuldade para ventilar adequadamente o ouvido médio. Já na chamada tuba auditiva patulosa, a estrutura permanece aberta de maneira inadequada.

Nesse segundo quadro, além de plenitude auricular, algumas pessoas percebem a própria voz ou a respiração excessivamente altas dentro do ouvido, fenômeno chamado autofonia.

Como os sintomas podem se sobrepor, sensação de ouvido tampado não é suficiente para definir qual alteração da tuba está presente.

Fonte científica atualizada:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42276851/

Ouvido tampado no avião ou depois do mergulho: por que acontece?

Quando a pressão do ambiente muda rapidamente, o ouvido médio precisa compensar essa diferença.

A tuba auditiva participa desse processo.

Durante a descida de um avião, subida ou descida rápida de altitude e mergulho, algumas pessoas não conseguem equalizar a pressão adequadamente e sentem:

  • ouvido tampado
    • pressão
    • dor
    • estalos
    • audição abafada

O consenso internacional sobre disfunção da tuba auditiva reconhece especificamente uma forma relacionada às mudanças de pressão ambiental, chamada disfunção induzida por variação de pressão.

O ouvido pode continuar tampado depois do voo?

Pode.

Em episódios leves, a sensação tende a melhorar conforme a pressão é normalizada.

Entretanto, dor persistente, redução importante da audição, zumbido intenso, tontura, sangramento ou sintomas prolongados justificam avaliação.

Evite realizar manobras agressivas para forçar a equalização, principalmente quando houver dor intensa ou tontura.

Otite pode causar sensação de ouvido tampado?

Sim.

Processos inflamatórios e infecciosos podem alterar o canal auditivo, o tímpano ou o ouvido médio e provocar sensação de pressão ou audição abafada.

Quando a plenitude aparece associada a:

  • dor
    • febre
    • secreção
    • piora importante da audição
    • mal estar

a possibilidade de infecção precisa ser considerada.

Não pingue substâncias ou medicamentos aleatórios no ouvido sem conhecer a condição do canal e do tímpano.

Onde pode estar o problema quando o ouvido parece tampado?

Um dos motivos pelos quais a plenitude auricular possui tantas causas é que diferentes regiões podem produzir sensações semelhantes.

Canal auditivo

É onde podem ocorrer:

  • excesso de cerume
    • corpo estranho
    • inflamações
    • edema do canal

Nesses casos, pode existir uma obstrução física real.

Ouvido médio

É a região localizada atrás do tímpano.

Problemas de pressão, líquido e algumas infecções podem produzir audição abafada e sensação de ouvido cheio.

Tuba auditiva

Quando a ventilação do ouvido médio fica prejudicada, o paciente pode sentir pressão, estalos e abafamento.

Ouvido interno

Alterações auditivas ou vestibulares também podem ser percebidas como plenitude auricular.

É nesse grupo que a perda auditiva súbita ganha especial importância.

Fora do próprio ouvido

Algumas condições podem produzir sintomas percebidos na região auricular mesmo sem haver uma obstrução no canal.

A disfunção temporomandibular, por exemplo, aparece associada a sintomas auriculares em estudos clínicos, incluindo sensação de plenitude.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28103655/

Ouvido tampado pode ser perda auditiva?

Sim, e essa é uma das informações mais importantes deste artigo.

Nem toda perda auditiva começa com a sensação clara de “não estou ouvindo”.

Algumas pessoas percebem primeiro:

  • ouvido cheio
    • abafamento
    • pressão
    • zumbido
    • alteração repentina da audição

O NIDCD informa que a perda auditiva neurossensorial súbita pode ocorrer rapidamente e costuma atingir apenas um ouvido. Plenitude auricular, zumbido e tontura podem acompanhar o quadro.

O risco de confundir com cera

Esse é exatamente o problema.

O próprio NIDCD alerta que pacientes podem adiar a procura por atendimento por acreditarem que a audição diminuiu devido a cera, sinusite, alergia ou outras condições aparentemente simples.

A recomendação é considerar os sintomas de perda auditiva súbita uma emergência médica.

Fonte científica:
https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness

Ouvido tampado de repente de um lado exige atenção?

Quando a sensação surge de forma súbita e existe uma redução perceptível da audição, sim.

Especialmente se vier acompanhada de:

  • zumbido novo
    • tontura
    • sensação intensa de pressão
    • percepção de que um ouvido está ouvindo muito menos que o outro

não espere vários dias tentando “desentupir”.

A American Academy of Otolaryngology, Head and Neck Surgery mantém uma diretriz específica para promover reconhecimento e manejo rápidos da perda auditiva súbita.

Fonte científica:
https://www.entnet.org/quality-practice/quality-products/clinical-practice-guidelines/sudden-hearing-loss-update/

Por que não é indicado esperar vários dias para ver se melhora?

Porque, quando existe suspeita de perda auditiva súbita, o tempo faz parte da investigação. A diretriz da American Academy of Otolaryngology, Head and Neck Surgery recomenda que a audiometria seja realizada o mais rápido possível e, no máximo, dentro de 14 dias do início dos sintomas para confirmar ou excluir perda auditiva neurossensorial súbita.

Isso não significa que a pessoa deva esperar 14 dias para procurar atendimento. O prazo representa o limite recomendado para confirmação audiométrica. Se a audição diminuiu subitamente, principalmente em apenas um ouvido, a avaliação deve ser procurada rapidamente.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31369349/

Ouvido tampado com zumbido é preocupante?

Zumbido pode aparecer em diferentes condições, inclusive acúmulo de cerume.

Portanto, a associação não indica automaticamente um problema grave.

O que muda a prioridade é o contexto.

Um zumbido novo acompanhado de redução auditiva súbita, principalmente unilateral, precisa ser avaliado rapidamente.

Zumbido persistente associado a ouvido tampado também merece investigação quando não existe uma causa conhecida.

Ouvido tampado e tontura podem ter relação com o ouvido interno?

Podem.

O ouvido interno participa tanto da audição quanto do equilíbrio.

Por isso, determinados problemas podem produzir sintomas auditivos e vestibulares simultaneamente.

No entanto, “tontura” é um termo amplo e possui diversas causas. Ouvido tampado com tontura não significa automaticamente “labirintite”.

Uma das condições que podem entrar no diagnóstico diferencial é a doença de Ménière. Nela, a plenitude auricular pode ocorrer junto com episódios de vertigem, zumbido e flutuação da audição.

Isso não significa que ouvido tampado com tontura seja doença de Ménière. O diagnóstico exige um conjunto específico de critérios clínicos e audiológicos.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25882471/

A avaliação clínica ajuda a diferenciar vertigem, desequilíbrio, sensação de cabeça leve e outras manifestações.

Quando o ouvido tampado exige atendimento mais rápido?

Procure avaliação rapidamente quando houver:

  • redução súbita da audição
    • ouvido subitamente abafado de apenas um lado
    • zumbido novo associado à queda auditiva
    • tontura ou vertigem intensa associada a alteração auditiva
    • dor muito forte
    • secreção pelo ouvido
    • sangramento
    • sintomas depois de trauma relevante
    • febre associada a quadro importante
    • alterações neurológicas

A prioridade máxima deve ser dada à diminuição súbita da audição, pois uma perda auditiva neurossensorial súbita não deve ser tratada como simples sensação de ouvido tampado.

O que não fazer para tentar destampar o ouvido?

A sensação de bloqueio costuma gerar vontade de agir imediatamente.

É justamente aí que algumas pessoas pioram o problema.

Não introduza cotonetes

Eles podem empurrar a cera para regiões mais profundas e traumatizar o canal auditivo.

Não utilize objetos

Grampos, pinças, tampas de caneta ou outros objetos podem provocar ferimentos e até lesionar o tímpano.

Não presuma que seja cera

Se a causa for alteração de pressão, infecção, perda auditiva ou outro problema, retirar cera não resolverá o sintoma.

Não pingue substâncias aleatórias

Óleos, álcool, água oxigenada, medicamentos e outras soluções não devem ser usados indiscriminadamente sem conhecer a condição do ouvido.

O próprio NHS apresenta contraindicações e cuidados para determinados tratamentos de cerume, e serviços de saúde alertam que gotas não devem ser utilizadas indiscriminadamente quando há suspeita de perfuração, infecção ou outras condições.

Não espere uma perda auditiva súbita “desentupir”

Se o abafamento surgiu de repente com queda da audição, procure assistência médica.

Como aliviar o ouvido tampado com segurança?

A resposta depende completamente da causa.

Se for cera impactada

O tratamento envolve manejo do cerume conforme a avaliação do canal e do tímpano.

Em casos de verdadeira obstrução, a remoção pode restaurar a audição aos níveis anteriores ao bloqueio.

Se for alteração da tuba auditiva

O tratamento depende do mecanismo envolvido e de fatores associados, como inflamação nasal ou alterações do ouvido médio.

Se ocorreu depois de uma mudança de pressão

Movimentos fisiológicos suaves, como engolir ou bocejar, participam naturalmente da abertura da tuba auditiva. Se houver dor intensa, tontura ou redução auditiva persistente, não force manobras e procure avaliação.

Se houver infecção

O tratamento depende do tipo e da localização da infecção.

Se houver perda auditiva súbita

Não é uma situação para tratamento caseiro.

É necessária avaliação médica rápida.

Por isso, como aliviar o ouvido tampado depende primeiro de saber por que ele está tampado.

Como o otorrinolaringologista descobre a causa?

O diagnóstico começa antes de qualquer exame sofisticado.

A maneira como o sintoma começou já fornece informações importantes.

História do sintoma

O médico pode perguntar:

  • começou de repente ou gradualmente?
    • ocorre em um ouvido ou nos dois?
    • existe redução da audição?
    • apareceu depois de gripe?
    • houve viagem de avião ou mergulho?
    • existe dor?
    • há zumbido?
    • há tontura?
    • existe secreção?
    • há estalos na mandíbula?

Cada resposta modifica as possibilidades diagnósticas.

Otoscopia ou otomicroscopia

Permitem visualizar o canal auditivo e o tímpano.

O exame pode identificar situações como:

  • cerume
    • alterações do canal
    • sinais de inflamação
    • algumas alterações do tímpano
    • presença de secreções

Audiometria

Quando existe suspeita de alteração da audição, a audiometria ajuda a determinar se realmente há perda auditiva e quais frequências estão envolvidas.

Ela é especialmente importante quando o paciente descreve o ouvido como “abafado”, mas não consegue definir se houve queda real da audição.

Imitanciometria e timpanometria

Esses exames fornecem informações sobre o funcionamento do ouvido médio e podem ajudar na investigação de determinados quadros relacionados à pressão e à mobilidade do sistema tímpano ossicular.

Nasofibroscopia

Em situações selecionadas, o otorrinolaringologista pode avaliar a região posterior do nariz, onde a tuba auditiva se comunica com a nasofaringe.

O consenso internacional sobre disfunção tubária inclui otoscopia, timpanometria, audiometria e nasofaringoscopia, quando apropriada, entre os componentes relevantes da avaliação.

Ouvido tampado com exame normal existe?

Sim.

A sensação é real mesmo quando não existe literalmente um objeto “entupindo” o canal auditivo.

Existem pacientes com plenitude auricular cujos exames iniciais do ouvido não mostram uma causa óbvia.

Nessas situações, o diagnóstico diferencial pode exigir investigação de:

  • disfunções intermitentes da tuba auditiva
    • alterações temporomandibulares
    • condições auditivas específicas
    • outros problemas conforme os sintomas associados

Em um estudo com pacientes cuja queixa principal era plenitude auricular, pesquisadores observaram associação com disfunções temporomandibulares mesmo em participantes com tímpano e timpanometria normais. O estudo não significa que toda plenitude com exame normal seja DTM, mas demonstra por que o diagnóstico diferencial precisa ir além de procurar cera.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28103655/

Como é feito o tratamento do ouvido tampado?

Não existe um tratamento único porque “ouvido tampado” não representa uma única doença.

Possível causa Abordagem que pode ser considerada
Cerume impactado Manejo e remoção segura do cerume quando indicado
Disfunção da tuba auditiva Tratamento conforme o tipo e os fatores associados
Otite Tratamento específico conforme diagnóstico
Líquido no ouvido médio Avaliação da causa, evolução e necessidade de intervenção
Alteração por pressão Conduta conforme gravidade e persistência
Perda auditiva Investigação do tipo e tratamento correspondente
Perda auditiva súbita Avaliação médica rápida
DTM Avaliação e tratamento da condição temporomandibular quando confirmada

Essa é a razão pela qual tentar “destampar” todos os ouvidos da mesma maneira não é uma estratégia segura.

Como evitar novos episódios?

A prevenção também depende da causa.

Alguns cuidados gerais incluem:

  • não introduzir cotonetes ou objetos no canal auditivo
    • tratar adequadamente doenças nasais quando houver indicação
    • procurar orientação antes de mergulhos quando houver histórico de dificuldade de equalização
    • não utilizar gotas ou substâncias no ouvido sem saber se são adequadas
    • realizar avaliação quando episódios se repetem
    • acompanhar a audição quando houver fatores de risco

Perguntas frequentes sobre ouvido tampado

Perguntas frequentes sobre ouvido tampado

Ouvido tampado é sempre cera?

Não. Cera é uma causa possível, mas alterações de pressão, disfunção da tuba auditiva, infecções, líquido no ouvido médio e alterações auditivas também podem causar o sintoma.

Como saber se meu ouvido está tampado de cera?

Os sintomas podem sugerir cerume, mas a confirmação é feita pela visualização do canal auditivo.

O que fazer quando o ouvido está tampado?

Evite introduzir objetos ou utilizar substâncias indiscriminadamente. Observe quando o sintoma começou e quais sinais aparecem junto. Se persistir ou houver alteração auditiva, procure avaliação.

Quanto tempo pode durar a sensação de ouvido tampado?

Depende da causa. Alterações transitórias de pressão podem melhorar rapidamente, enquanto disfunções da tuba auditiva, líquido no ouvido médio, cerume ou outras doenças podem persistir. Não existe um prazo universal.

Ouvido tampado depois da gripe é normal?

Pode acontecer por alterações da ventilação do ouvido médio e da tuba auditiva. Se a sensação persistir ou estiver associada à redução importante da audição ou dor, procure avaliação.

Rinite pode deixar o ouvido tampado?

Processos inflamatórios nasais podem estar associados a alterações da tuba auditiva em alguns pacientes. A presença de rinite, entretanto, não deve ser considerada automaticamente a causa de toda plenitude auricular.

Por que meu ouvido estala quando engulo?

A tuba auditiva participa da equalização da pressão do ouvido médio e pode produzir sensações ou sons durante seus movimentos. Estalos persistentes associados a pressão ou audição abafada merecem avaliação quando incomodam ou permanecem.

Avião pode deixar o ouvido tampado por vários dias?

Pode ocorrer desconforto persistente depois de mudanças de pressão. Dor importante, redução auditiva, tontura ou sintomas prolongados precisam de avaliação.

Ouvido tampado pode ser perda auditiva?

Sim. Algumas perdas auditivas podem ser percebidas inicialmente como sensação de ouvido cheio ou abafado.

Ouvido tampado e zumbido é preocupante?

Depende do contexto. Quando surgem subitamente junto com redução da audição, principalmente em apenas um lado, precisam de avaliação rápida.

Ouvido tampado e tontura podem ser labirintite?

Não necessariamente. Diferentes doenças podem provocar esses sintomas. “Labirintite” não deve ser utilizada como explicação automática para toda tontura associada a sintomas auditivos.

Ouvido tampado de um lado merece investigação?

Sim, principalmente quando persiste, ocorre repetidamente ou está associado à perda auditiva, zumbido ou tontura.

Posso limpar o ouvido com cotonete?

Não é recomendado introduzir hastes no canal para remover cera. Elas podem empurrar o cerume mais profundamente e causar trauma.

Qual exame identifica a causa do ouvido tampado?

Depende da suspeita. Otoscopia, audiometria, timpanometria e outros exames podem ser utilizados conforme o quadro.

Quando devo procurar um otorrinolaringologista?

Quando a sensação persiste, volta frequentemente, apresenta dor, secreção, zumbido ou tontura, ou quando existe qualquer redução da audição. Diminuição auditiva súbita exige atenção rápida.

Seu ouvido continua tampado? Descobrir a causa é mais seguro do que tentar desentupir

A sensação de ouvido cheio pode parecer simples, mas ela não revela sozinha onde está o problema.

Às vezes existe uma rolha de cera. Em outras situações, o canal auditivo está completamente livre e a causa encontra-se na pressão do ouvido médio, na tuba auditiva ou na própria audição.

Por isso, insistir em cotonetes, gotas ou tentativas caseiras sem diagnóstico pode não apenas falhar, mas também atrasar a identificação do problema correto.

Se o ouvido está tampado há vários dias, o sintoma volta com frequência ou existe redução auditiva, zumbido, tontura, dor ou secreção, a avaliação com um otorrinolaringologista permite examinar o ouvido e definir a conduta adequada.

E se a audição diminuiu de repente, principalmente de apenas um lado, procure atendimento rapidamente. Nesse cenário, o objetivo não é esperar o ouvido “destampar”. É proteger a audição investigando a causa em tempo adequado.

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Fontes e referências

Post da Clínica Luiz Pires de Mello que inspirou a criação deste artigo:
https://www.instagram.com/p/Db3EA8nxJhM/

National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, Sudden Sensorineural Hearing Loss:
https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness

American Academy of Otolaryngology, Head and Neck Surgery, Clinical Practice Guideline: Sudden Hearing Loss:
https://www.entnet.org/quality-practice/quality-products/clinical-practice-guidelines/sudden-hearing-loss-update/

NHS, Earwax build up:
https://www.nhs.uk/conditions/earwax-build-up/

ENT Health, Earwax Prevention FAQs:
https://www.enthealth.org/be_ent_smart/earwax-prevention-faqs/

Schilder AGM et al. Eustachian tube dysfunction: consensus statement on definition, types, clinical presentation and diagnosis:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26347263/

Peng Y. Temporomandibular Joint Disorders as a Cause of Aural Fullness:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28103655/

Sobre o Autor

Responsável técnico pelo conteúdo:
Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello
Especialidade: Otorrinolaringologia

Este conteúdo foi desenvolvido com base na experiência clínica acumulada pela Clínica Luiz Pires de Mello, instituição dedicada à Otorrinolaringologia desde 1962. Com mais de seis décadas de atuação contínua, a clínica reúne tradição médica, precisão diagnóstica e atendimento centrado no paciente, contribuindo para a educação em saúde por meio de conteúdos informativos baseados em prática clínica e conhecimento científico.

Contatos da Clínica Luiz Pires de Mello

Unidade Icaraí: (21) 2612-2288, também WhatsApp
Exames audiométricos em Icaraí: (21) 2611-2587
Unidade Fonseca: (21) 2625-1818
Exames audiométricos no Fonseca: (21) 2625-3083

Os contatos estão publicados no site oficial da Clínica Luiz Pires de Mello.

https://clinicaluizpiresdemello.com.br/wp-content/uploads/2026/09/ouvido-tampado-causas-sinais-alerta.jpg 800 1200 Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello https://clinicaluizpiresdemello.com.br/wp-content/uploads/2018/12/logo_pires_de_mello-293x300.png Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello2026-08-19 06:00:142026-09-01 02:03:10Ouvido tampado: o que pode ser, como aliviar e quando procurar um otorrino

Perda auditiva congênita em bebês: causas, fatores de risco, teste da orelhinha e diagnóstico precoce

12 de agosto de 2026/em Audição Infantil, Exames Auditivos/por Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello

Revisão médica: Dra. Andrea Pires de Mello, médico otorrinolaringologista, CRM-RJ 52 51976-9/ RQE 33762, chefe do Centro de Pesquisa em Audição e Equilíbrio da Clínica Pires de Mello e mestre pela Fiocruz.

Última revisão médica: 31 de agosto de 2026. 

Um bebê pode parecer completamente saudável e ainda apresentar uma alteração auditiva que ninguém conseguiria perceber apenas olhando para ele.

É justamente por isso que a audição é investigada tão cedo.

A perda auditiva congênita pode estar relacionada a fatores genéticos, infecções adquiridas durante a gestação e condições ocorridas ao redor do nascimento. Algumas causas podem ter seu risco reduzido. Outras não podem ser prevenidas. Mas existe um fator sobre o qual é possível agir: o tempo até identificar a alteração auditiva.

Quanto mais cedo uma dificuldade de audição é reconhecida, mais cedo a criança e sua família podem receber acompanhamento adequado durante uma fase decisiva para o desenvolvimento da comunicação, da linguagem e da interação social.

A perda auditiva permanente presente desde o nascimento ocorre em uma parcela relativamente pequena dos recém-nascidos, mas sua relevância clínica é grande justamente porque os primeiros meses de vida representam uma janela importante para o desenvolvimento. Estimativas utilizadas na literatura brasileira apontam prevalência aproximada de 1 a 3 casos para cada mil recém-nascidos em alojamento conjunto, com frequência maior entre bebês que necessitam de cuidados intensivos neonatais.

Neste artigo, você vai entender por que um bebê pode nascer com perda auditiva, quais fatores aumentam o risco, quais infecções gestacionais merecem atenção, para que serve o teste da orelhinha, quando o BERA pode ser necessário e por que passar na triagem neonatal não elimina todo o risco de alterações auditivas futuras.

Resposta rápida

A perda auditiva congênita é aquela presente ao nascimento. Ela pode ter origem genética ou estar associada a infecções intrauterinas, complicações do período perinatal e outros fatores. A Organização Mundial da Saúde informa que fatores genéticos respondem por mais de 50% das perdas auditivas observadas em neonatos. Rubéola, citomegalovírus, toxoplasmose, sífilis e outras infecções congênitas também podem comprometer a audição. A triagem auditiva neonatal, conhecida como teste da orelhinha, ajuda a identificar bebês que precisam de investigação, mas não substitui o diagnóstico audiológico completo.

Fonte científica:
https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/339913/9789240020481-eng.pdf

Fonte oficial brasileira:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-crianca/cuidado-neonatal

O que é perda auditiva congênita?

Perda auditiva congênita é a redução da capacidade de ouvir que já está presente no momento do nascimento. Ela pode atingir apenas um ouvido ou os dois e apresentar diferentes graus de intensidade, desde alterações leves até perdas profundas.

O termo congênito descreve quando a alteração está presente, e não necessariamente sua causa.

Isso significa que perda auditiva congênita não é sinônimo de perda auditiva hereditária.

Congênita, hereditária e adquirida não significam a mesma coisa

Uma perda auditiva pode ser:

Congênita: presente desde o nascimento.

Genética: causada por alterações em genes relacionados ao sistema auditivo.

Hereditária: uma forma de alteração genética transmitida dentro de determinados padrões familiares.

Adquirida: surge depois do nascimento por infecções, exposição a ruídos, medicamentos, traumas ou outras condições.

Também existem perdas auditivas progressivas ou de início tardio, nas quais a criança apresenta audição suficiente para passar na triagem neonatal, mas desenvolve alteração posteriormente.

Essa distinção será especialmente importante ao falar sobre citomegalovírus congênito.

Quantos bebês nascem com perda auditiva?

Estimativas relatadas na literatura brasileira situam a perda auditiva neonatal em aproximadamente 1 a 3 casos por mil recém-nascidos em alojamento conjunto. Entre bebês que necessitam de UTI neonatal, a ocorrência é consideravelmente maior.

Fonte científica:
https://www.scielo.br/j/csc/a/W7GRyFX5NwhRKFvmxHsdkZN/?lang=pt

Esses números ajudam a explicar por que a audição é rastreada mesmo em bebês aparentemente saudáveis e sem histórico familiar de surdez.

A triagem neonatal procura justamente identificar alterações antes que os pais consigam perceber sinais evidentes no comportamento da criança.

Quais são as principais causas da perda auditiva congênita?

A perda auditiva congênita pode ter causas genéticas e não genéticas. A OMS descreve fatores genéticos, infecções intrauterinas e condições do período perinatal entre os principais grupos relacionados à perda auditiva nos primeiros momentos da vida.

Causas genéticas

Fatores genéticos respondem por mais de 50% das perdas auditivas encontradas em neonatos, segundo o World Report on Hearing da Organização Mundial da Saúde.

É importante interpretar essa informação corretamente.

Genética não significa necessariamente que a perda auditiva foi simplesmente “herdada dos pais”.

Mais de 250 genes já foram relacionados a perdas auditivas sindrômicas e não sindrômicas, e diferentes mecanismos genéticos podem estar envolvidos.

A perda auditiva genética pode ser:

Sindrômica

O comprometimento auditivo aparece acompanhado de outras manifestações clínicas, que podem envolver visão, sistema nervoso, coração, sistema endócrino ou outras estruturas.

Não sindrômica

A alteração auditiva aparece sem outras características clínicas que componham uma síndrome reconhecida.

Pais com audição normal podem ter um bebê com perda auditiva genética?

Sim.

Alguns padrões genéticos são recessivos. Nesses casos, os pais podem apresentar audição normal e carregar variantes genéticas que, quando combinadas no bebê, podem resultar em perda auditiva.

Por isso, ausência de pessoas surdas ou com perda auditiva conhecida na família não exclui uma causa genética.

Fonte científica:
https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/339913/9789240020481-eng.pdf

Citomegalovírus congênito e perda auditiva

O citomegalovírus, conhecido como CMV, ocupa uma posição especialmente importante na investigação da audição infantil porque pode causar perda auditiva presente ao nascimento ou alterações que aparecem posteriormente.

O CDC informa que a perda auditiva é comum em crianças com CMV congênito, inclusive naquelas que não apresentaram sinais evidentes da infecção ao nascer. A alteração pode estar presente em apenas um ouvido, progredir ou surgir posteriormente.

Um bebê com CMV pode passar no teste da orelhinha?

Sim.

Esse é um dos pontos mais importantes para pais e profissionais compreenderem.

O CDC ressalta que algumas crianças com CMV congênito podem desenvolver perda auditiva mesmo depois de terem passado na triagem auditiva neonatal. Por isso, bebês diagnosticados com CMV congênito precisam de acompanhamento auditivo periódico.

Fonte científica:
https://www.cdc.gov/cytomegalovirus/congenital-infection/hearing-loss.html

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 reforçou a importância desse acompanhamento. Os estudos incluídos reuniram 56.892 recém-nascidos submetidos à triagem para CMV congênito, e a síntese encontrou uma proporção de 13,9% de comprometimento auditivo tardio no conjunto analisado. O achado reforça que ausência de perda auditiva ao nascimento não elimina a possibilidade de alteração posterior em crianças com CMV congênito.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42492315/

Existe um prazo para confirmar que o CMV é congênito?

Sim. O momento da coleta é importante. Segundo o CDC, a confirmação de CMV congênito deve ser feita por testes em urina, saliva ou sangue do recém-nascido nas primeiras duas a três semanas de vida. Depois desse período, identificar o vírus pode não permitir distinguir com segurança uma infecção adquirida durante a gestação de uma infecção adquirida após o nascimento.

Por isso, quando existe indicação clínica para investigar CMV congênito, o tempo até a realização do exame também faz parte da estratégia diagnóstica.

Fonte científica:
https://www.cdc.gov/cytomegalovirus/congenital-infection/index.html

 

É necessário investigar CMV em todas as gestantes?

Não existe uma recomendação universal de rastreamento sorológico rotineiro para todas as gestantes.

O CDC, por exemplo, não recomenda rastreamento rotineiro de CMV durante a gravidez nos Estados Unidos porque os testes maternos disponíveis não conseguem prever de maneira adequada quais fetos serão infectados ou desenvolverão consequências de longo prazo.

Isso não significa que CMV não deva ser investigado quando existe indicação clínica. A decisão depende do contexto obstétrico e deve seguir orientação médica.

Fonte:
https://www.cdc.gov/cytomegalovirus/congenital-infection/index.html

Rubéola durante a gestação

A rubéola é uma causa clássica e prevenível de alterações congênitas.

Quando a infecção ocorre durante a gravidez, especialmente nas fases iniciais, pode causar a síndrome da rubéola congênita, que inclui alterações auditivas, oculares, cardíacas e do desenvolvimento.

A OMS destaca a imunização contra rubéola de adolescentes e mulheres em idade reprodutiva antes da gestação como uma das estratégias para reduzir o risco de perda auditiva congênita relacionada à doença.

Fonte:
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/rubella

Rubéola e sarampo têm o mesmo papel na perda auditiva congênita?

Não.

O sarampo pode causar perda auditiva como complicação da própria infecção, mas, quando o assunto é uma infecção durante a gestação capaz de produzir síndrome congênita com comprometimento auditivo, a rubéola merece destaque específico.

Essa distinção é importante para evitar simplificações na orientação pré-concepcional.

Outras infecções congênitas relacionadas à audição

A Organização Mundial da Saúde relaciona diferentes infecções intrauterinas à perda auditiva, entre elas:

  • toxoplasmose
  • rubéola
  • citomegalovírus
  • herpes simples
  • HIV
  • Zika
  • sífilis

Isso não significa que toda gestante com uma dessas infecções terá um bebê com perda auditiva.

O risco depende da infecção, do período da gestação, da transmissão para o feto e de diversos fatores clínicos.

A investigação e o tratamento durante a gestação devem seguir os protocolos obstétricos e infectológicos adequados a cada situação.

Quais fatores relacionados ao nascimento aumentam o risco?

Nem toda perda auditiva observada nos primeiros meses tem origem exclusivamente no período intrauterino.

Condições ao redor do nascimento também podem aumentar o risco auditivo.

A Organização Mundial da Saúde cita, entre os fatores perinatais relacionados à perda auditiva:

  • asfixia ao nascimento
  • hiperbilirrubinemia grave
  • baixo peso ao nascer
  • outras morbidades perinatais e tratamentos associados

Bebês prematuros, crianças que permanecem em UTI neonatal e recém-nascidos expostos a determinadas situações clínicas podem necessitar de protocolos específicos de triagem e acompanhamento.

Fonte:
https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/deafness-and-hearing-loss

Quais bebês apresentam indicadores de risco para perda auditiva?

Alguns recém-nascidos precisam de atenção auditiva especial mesmo quando não existem sinais visíveis de dificuldade para ouvir.

Entre os indicadores de risco descritos em referências brasileiras estão histórico familiar de perda auditiva permanente iniciada na infância, permanência prolongada em UTI neonatal, hiperbilirrubinemia grave, asfixia ou encefalopatia hipóxico-isquêmica, uso prolongado de determinados medicamentos ototóxicos, infecções congênitas, malformações craniofaciais e síndromes genéticas associadas à perda auditiva.

A presença de um fator de risco não significa que o bebê tenha perda auditiva. Ela indica que o protocolo de triagem e o acompanhamento podem precisar ser individualizados.

Por isso, o resultado do teste da orelhinha deve ser interpretado em conjunto com a história clínica e os indicadores de risco da criança.

Fontes:
https://www.sbteim.org.br/teste-da-orelhinha.aspx
https://spsp.org.br/avaliacao-auditiva-recomendacoes-atuais-para-recem-nascidos-e-criancas-maiores/

A fonte brasileira detalha inclusive UTI por mais de cinco dias, hiperbilirrubinemia com exsanguineotransfusão, aminoglicosídeos, asfixia, ECMO, infecções congênitas e malformações craniofaciais.

É possível prevenir a perda auditiva congênita?

Nem toda perda auditiva congênita pode ser prevenida.

As causas genéticas, por exemplo, não desaparecem com mudanças de comportamento durante a gestação. Entretanto, o risco de algumas causas não genéticas pode ser reduzido por meio de vacinação adequada, assistência pré-natal, prevenção de determinadas infecções e cuidado obstétrico e neonatal.

Antes da gravidez

Quando possível, o planejamento pré-concepcional permite revisar a situação vacinal, doenças maternas e medicamentos utilizados.

A imunidade contra rubéola merece atenção particular devido ao risco da síndrome da rubéola congênita.

A vacinação deve sempre seguir a orientação dos profissionais responsáveis pelo cuidado pré-concepcional.

Durante a gravidez

O pré-natal adequado permite acompanhar a saúde materna e fetal, investigar doenças conforme os protocolos indicados e tomar decisões individualizadas.

Também é importante não utilizar medicamentos por conta própria.

Como reduzir o risco de CMV?

O CMV pode ser transmitido por fluidos corporais, especialmente saliva e urina de crianças pequenas.

O CDC recomenda medidas simples para reduzir a exposição, como não compartilhar alimentos, copos, utensílios ou chupetas com crianças e lavar as mãos após trocar fraldas ou ajudar uma criança no banheiro.

Fonte:
https://www.cdc.gov/cytomegalovirus/about/index.html

Teste da orelhinha: por que todo bebê deve fazer?

O teste da orelhinha, chamado tecnicamente de Triagem Auditiva Neonatal, é uma avaliação realizada nos primeiros dias de vida para identificar recém-nascidos que possam precisar de investigação auditiva mais aprofundada.

O Ministério da Saúde informa que a triagem costuma ser realizada ainda na maternidade, geralmente no segundo ou terceiro dia de vida, é indolor e pode ser feita enquanto o bebê dorme naturalmente.

Fonte oficial:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-crianca/cuidado-neonatal

O Brasil também possui diretrizes específicas para a Triagem Auditiva Neonatal e, em 2025, o Ministério da Saúde publicou um guia atualizado para realização da TAN e seguimento assistencial.

Guia do Ministério da Saúde:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_triagem_auditiva_neonatal.pdf

O teste da orelhinha é um diagnóstico?

Não. O teste da orelhinha é uma triagem.

Seu objetivo é separar os bebês que apresentam resposta compatível com a triagem daqueles que precisam repetir o teste ou seguir para uma avaliação audiológica diagnóstica.

Isso significa que não passar no teste da orelhinha não confirma automaticamente uma perda auditiva.

O próprio material do Ministério da Saúde explica que muitos bebês encaminhados para diagnóstico terão audição normal, enquanto outros terão a perda auditiva confirmada.

Fonte:
https://bvsms.saude.gov.br/teste-da-orelhinha/

O que acontece se o bebê não passar no teste da orelhinha?

Um resultado que exige seguimento não deve ser interpretado como diagnóstico definitivo.

O fluxo costuma seguir esta lógica:

Triagem auditiva neonatal

↓

Resultado que exige nova avaliação

↓

Reteste ou encaminhamento conforme o protocolo

↓

Avaliação audiológica diagnóstica

↓

Confirmação ou exclusão da perda auditiva

↓

Intervenção quando necessária

O passo mais importante para a família é não perder o seguimento.

O CDC destaca que bebês que não passam na triagem devem receber avaliação auditiva diagnóstica o mais cedo possível.

Quais exames podem ser usados para avaliar a audição do bebê?

A escolha depende da idade, dos fatores de risco, do resultado da triagem e da hipótese clínica.

Emissões otoacústicas

As emissões otoacústicas avaliam respostas produzidas pela cóclea e são amplamente utilizadas na triagem neonatal.

O teste é rápido e não depende de o recém-nascido levantar a mão ou responder conscientemente aos sons.

PEATE automático

O Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico automático pode ser empregado em protocolos de triagem auditiva neonatal.

Ele analisa respostas elétricas relacionadas à passagem do estímulo auditivo pelo sistema auditivo.

PEATE ou BERA diagnóstico

O BERA, também chamado de PEATE, pode fazer parte da investigação diagnóstica quando existe necessidade de estimar a função auditiva de forma objetiva.

É particularmente útil em bebês e crianças que ainda não conseguem responder aos exames comportamentais tradicionais.

A Clínica Luiz Pires de Mello dispõe de avaliação auditiva infantil e também realiza BERA, inclusive BERA com sedação em situações nas quais a equipe médica considera essa abordagem necessária.

Informações sobre BERA com sedação:
https://www.clinicaluizpiresdemello.com.br/bera-com-sedacao-bebes-e-criancas/

Confirmar a perda auditiva e descobrir sua causa são etapas diferentes

Os exames audiológicos ajudam a confirmar se existe uma alteração auditiva e a caracterizar sua intensidade e funcionamento. Descobrir por que a perda ocorreu pode exigir outra etapa da investigação.

Dependendo das características do caso, da história da gestação e do nascimento e de a perda ser unilateral ou bilateral, a avaliação etiológica pode incluir exame clínico detalhado, investigação genética, pesquisa de infecções congênitas e exames de imagem selecionados.

Não existe uma bateria única de exames indicada para todos os bebês. A investigação precisa ser direcionada pelos achados audiológicos e pelo contexto clínico.

Referências científicas:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34667865/
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9874360/

Uma revisão sobre avaliação médica de crianças com perda auditiva sensorioneural aborda história clínica, genética, CMV, imagem e exames direcionados, e a Sociedade Brasileira de Otologia também publicou recomendações para avaliação de perda auditiva infantil.

Meu bebê passou no teste da orelhinha. Então nunca terá perda auditiva?

Não necessariamente.

Passar na triagem significa que o bebê apresentou resposta adequada naquele momento e dentro do que o teste consegue avaliar.

Algumas perdas auditivas podem ser progressivas ou aparecer depois.

O CDC afirma explicitamente que um recém-nascido pode passar na triagem e desenvolver perda auditiva posteriormente.

Fonte:
https://www.cdc.gov/hearing-loss-children/articles/baby-hearing-screening.html

Essa possibilidade é particularmente relevante em crianças com determinados indicadores de risco, incluindo CMV congênito.

Por isso, o desenvolvimento auditivo e da linguagem precisa continuar sendo observado durante a infância.

Como saber se um bebê está ouvindo bem?

Nenhum comportamento isolado substitui uma avaliação auditiva.

Mesmo assim, alguns marcos ajudam pais e profissionais a acompanhar o desenvolvimento.

O CDC orienta atenção a situações como ausência de reação a sons intensos, dificuldade para localizar sons após os primeiros meses e atraso no desenvolvimento da comunicação.

Se houver dúvida sobre a audição da criança, mesmo depois de um teste da orelhinha considerado adequado, converse com o pediatra ou otorrinolaringologista.

Por que os primeiros meses fazem tanta diferença?

Os programas de detecção e intervenção precoce utilizam uma meta simples e importante:

Até 1 mês

Realizar a triagem auditiva.

Até 3 meses

Concluir a avaliação diagnóstica quando o bebê não passa na triagem.

Até 6 meses

Iniciar os serviços de intervenção quando a perda auditiva é confirmada.

Essas metas são conhecidas internacionalmente como referências 1, 3 e 6 para detecção e intervenção auditiva precoce.

Fonte:
https://www.cdc.gov/hearing-loss-children/articles/baby-hearing-screening-infographic.html

O princípio por trás desses prazos é reduzir o intervalo entre a identificação da alteração e o acesso da criança às estratégias de comunicação e acompanhamento de que necessita.

O que muda quando a perda auditiva é identificada cedo?

A perda auditiva pode interferir no desenvolvimento da comunicação, da linguagem e das habilidades sociais.

O CDC destaca que quanto mais cedo crianças com perda auditiva recebem os serviços necessários, maiores são as oportunidades de desenvolver plenamente essas habilidades.

Fonte:
https://www.cdc.gov/hearing-loss-children/treatment/index.html

Intervenção precoce não significa apenas colocar um aparelho no ouvido.

Ela pode envolver:

  • acompanhamento com otorrinolaringologista e audiologia
  • acompanhamento fonoaudiológico
  • tecnologias auditivas quando indicadas
  • estratégias para desenvolvimento da comunicação
  • orientação da família
  • monitoramento contínuo da audição e do desenvolvimento

A escolha depende das características e necessidades de cada criança.

Perda auditiva congênita não significa necessariamente surdez profunda

Esse é outro conceito importante para reduzir ansiedade desnecessária.

A perda auditiva pode apresentar diferentes graus e configurações.

Uma criança pode apresentar perda:

  • leve
  • moderada
  • severa
  • profunda
  • unilateral
  • bilateral

Duas crianças com o mesmo diagnóstico geral de “perda auditiva congênita” podem, portanto, ter necessidades completamente diferentes.

É por isso que o diagnóstico precisa identificar não apenas se existe perda auditiva, mas também seu tipo, grau, configuração e repercussão funcional.

Como é tratado um bebê com perda auditiva congênita?

Não existe um tratamento único para todas as crianças.

O cuidado depende da causa, do tipo e grau da perda, de um ou dos dois ouvidos estarem envolvidos, da anatomia das estruturas auditivas e das necessidades de desenvolvimento da criança.

Conforme a situação, podem ser considerados:

Acompanhamento audiológico

Permite monitorar se a audição permanece estável ou apresenta progressão.

Aparelho auditivo

Pode ser indicado em determinadas perdas para ampliar o acesso aos sons.

Implante coclear

Pode ser considerado em situações específicas de perda auditiva severa ou profunda, após investigação e critérios adequados.

Acompanhamento fonoaudiológico

Tem papel importante no desenvolvimento da comunicação e no acompanhamento da criança e da família.

Tratamento médico ou cirúrgico

Algumas causas específicas podem exigir outras intervenções.

O CDC ressalta que não existe uma única intervenção adequada para todas as crianças e famílias. O planejamento precisa ser individualizado.

Causas e fatores de risco em um único olhar

Causa ou fator Pode estar presente ao nascer? Pode surgir ou piorar depois? Há prevenção possível? Pode exigir seguimento auditivo?
Alteração genética Sim Sim Nem sempre Sim
CMV congênito Sim Sim O risco de exposição pode ser reduzido Sim
Rubéola congênita Sim Pode haver repercussões duradouras Vacinação antes da gravidez reduz o risco Sim
Outras infecções congênitas Sim Depende da condição Depende da infecção Sim
Hiperbilirrubinemia grave Pode afetar precocemente Sim Manejo neonatal reduz complicações Sim
Asfixia perinatal Pode afetar precocemente Sim Depende do contexto obstétrico e neonatal Sim
Prematuridade e condições neonatais de risco Podem estar associadas Sim Parcialmente, conforme a causa Sim

Perguntas frequentes sobre rouquidão persistente

Perguntas frequentes sobre perda auditiva congênita

O que é perda auditiva congênita?

É uma redução da capacidade auditiva que já está presente ao nascimento. Pode ser unilateral ou bilateral e variar de leve a profunda.

Quantos bebês nascem com perda auditiva?

Estimativas relatadas na literatura brasileira situam a ocorrência em aproximadamente 1 a 3 por mil recém-nascidos em alojamento conjunto, com frequência maior entre bebês de maior risco neonatal.

Perda auditiva congênita é sempre genética?

Não. Ela pode ter origem genética, infecciosa ou estar relacionada a condições do período perinatal.

Pais que escutam normalmente podem ter um bebê com perda auditiva genética?

Sim. Certos padrões genéticos permitem que pais com audição normal tenham uma criança com perda auditiva.

Quais infecções durante a gravidez podem afetar a audição do bebê?

A OMS relaciona infecções como rubéola, CMV, toxoplasmose, herpes, sífilis, HIV e Zika à perda auditiva congênita.

Citomegalovírus pode causar surdez?

O CMV congênito pode causar perda auditiva de diferentes graus. A alteração pode estar presente ao nascimento ou aparecer posteriormente.

Rubéola na gravidez pode causar perda auditiva?

Sim. Alterações auditivas estão entre as principais manifestações da síndrome da rubéola congênita.

É possível prevenir perda auditiva congênita?

Nem todos os casos. Causas genéticas não são prevenidas por cuidados durante a gestação, mas vacinação contra rubéola antes da gravidez, pré-natal e prevenção de determinadas infecções podem reduzir alguns riscos.

Para que serve o teste da orelhinha?

Para rastrear precocemente recém-nascidos que podem precisar de investigação auditiva adicional.

Quando o teste da orelhinha deve ser feito?

O Ministério da Saúde informa que ele costuma ser realizado ainda na maternidade, logo após o nascimento e antes da alta.

O que significa não passar no teste da orelhinha?

Significa que o bebê precisa de seguimento conforme o protocolo. Não significa automaticamente que exista perda auditiva.

Passar no teste da orelhinha garante que a audição sempre será normal?

Não. Algumas perdas auditivas podem surgir ou progredir posteriormente.

Quando pode ser necessário fazer BERA no bebê?

O BERA pode ser indicado quando há necessidade de avaliação objetiva das vias auditivas e de investigação diagnóstica mais aprofundada. A indicação depende do resultado da triagem e da avaliação especializada.

Como saber se um bebê não está ouvindo bem?

Dificuldades de resposta a sons e atrasos posteriores na comunicação podem levantar suspeita, mas somente a avaliação auditiva adequada pode esclarecer o quadro.

Perda auditiva congênita tem cura?

Depende da causa. Algumas condições podem receber tratamento específico, enquanto outras exigem reabilitação auditiva e acompanhamento. O objetivo é oferecer à criança o melhor acesso possível à comunicação e ao desenvolvimento.

Por que o diagnóstico precoce é tão importante?

Porque permite reduzir o tempo até o início das intervenções necessárias em uma fase crítica para o desenvolvimento da comunicação, linguagem e habilidades sociais.

Quanto mais cedo a audição é compreendida, mais cedo o desenvolvimento pode ser apoiado

Nem todas as causas de perda auditiva congênita podem ser evitadas. Isso é especialmente verdadeiro para muitas alterações genéticas.

Mas perder tempo diante de uma alteração auditiva pode ser evitado.

O teste da orelhinha, o acompanhamento dos bebês com fatores de risco e a investigação diagnóstica quando necessária permitem transformar uma alteração silenciosa em informação clínica concreta.

Quando a perda auditiva é confirmada, o objetivo não é apenas encontrar um resultado em um exame. É compreender as necessidades daquela criança e criar condições para que ela tenha acesso à comunicação, ao acompanhamento e às intervenções adequadas o mais cedo possível.

Se o seu bebê não passou na triagem auditiva, possui fatores de risco para perda auditiva ou existe qualquer dúvida sobre sua resposta aos sons, uma avaliação especializada pode esclarecer o próximo passo com precisão e segurança.

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Fontes e referências

Post da Clínica Luiz Pires de Mello que inspirou este artigo:
https://www.instagram.com/p/DbJ4t0hmUcj

Organização Mundial da Saúde, World Report on Hearing:
https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/339913/9789240020481-eng.pdf

Organização Mundial da Saúde, Deafness and Hearing Loss:
https://www.who.int/health-topics/hearing-loss

Organização Mundial da Saúde, Rubella:
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/rubella

Ministério da Saúde, Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-com-deficiencia/publicacoes/diretrizes-de-atencao-da-triagem-auditiva-neonatal.pdf/view

Ministério da Saúde, Guia para Realização da Triagem Auditiva Neonatal e Seguimento Assistencial, 2025:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_triagem_auditiva_neonatal.pdf

Ministério da Saúde, Cuidado Neonatal e Teste da Orelhinha:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-crianca/cuidado-neonatal

CDC, Congenital CMV and Hearing Loss:
https://www.cdc.gov/cytomegalovirus/congenital-infection/hearing-loss.html

CDC, CMV in Newborns:
https://www.cdc.gov/cytomegalovirus/congenital-infection/index.html

CDC, EHDI 1, 3, 6 Benchmarks:
https://www.cdc.gov/hearing-loss-children/articles/baby-hearing-screening-infographic.html

Estudo brasileiro sobre Triagem Auditiva Neonatal:
https://www.scielo.br/j/csc/a/W7GRyFX5NwhRKFvmxHsdkZN/?lang=pt

Sobre o Autor

Responsável técnico pelo conteúdo:
Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello
Especialidade: Otorrinolaringologia

Este conteúdo foi desenvolvido com base na experiência clínica acumulada pela Clínica Luiz Pires de Mello, instituição dedicada à Otorrinolaringologia desde 1962. Com mais de seis décadas de atuação contínua, a clínica reúne tradição médica, precisão diagnóstica e atendimento centrado no paciente, contribuindo para a educação em saúde por meio de conteúdos informativos baseados em prática clínica e conhecimento científico.

Contatos da Clínica Luiz Pires de Mello

Unidade Icaraí: (21) 2612-2288, também WhatsApp
Exames audiométricos em Icaraí: (21) 2611-2587
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Exames audiométricos no Fonseca: (21) 2625-3083

https://clinicaluizpiresdemello.com.br/wp-content/uploads/2026/08/perda-auditiva-congenita-bebe-risco.jpg 800 1200 Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello https://clinicaluizpiresdemello.com.br/wp-content/uploads/2018/12/logo_pires_de_mello-293x300.png Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello2026-08-12 06:00:572026-09-01 01:35:35Perda auditiva congênita em bebês: causas, fatores de risco, teste da orelhinha e diagnóstico precoce

Nariz sangrando: o que fazer na hora, causas e quando procurar atendimento

7 de agosto de 2026/em Nariz, Seios da Face/por Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello

Ver sangue saindo do nariz assusta, principalmente quando o sangramento começa de repente. A boa notícia é que muitos episódios de sangramento nasal, chamado de epistaxe na linguagem médica, podem ser controlados com medidas simples realizadas corretamente.

Mas existe uma diferença importante entre um episódio ocasional e um nariz que sangra repetidamente, em grande quantidade ou não para após compressão adequada. Nesses casos, simplesmente estancar o sangue não basta. É necessário compreender por que o sangramento aconteceu.

A regra prática é simples: primeiro, controle o sangramento. Depois, investigue a causa quando houver recorrência, intensidade importante ou sinais de alerta.

 

Post da Clínica Luiz Pires de Mello que inspirou este artigo:Instagram da Clínica Luiz Pires de Mello:

Post da Clínica Luiz Pires de Mello que inspirou este artigo: Instagram da Clínica Luiz Pires de Mello

Nariz sangrando? Faça isso agora

Se o nariz começou a sangrar, sente-se, mantenha a cabeça ligeiramente inclinada para a frente e pressione firmemente a parte macia do nariz, logo acima das narinas, por cerca de 10 a 15 minutos sem soltar. Respire pela boca. Não deite e não incline a cabeça para trás. NHS e Mayo Clinic recomendam posição ereta, inclinação para a frente e compressão contínua como medidas iniciais para controlar a epistaxe.

1. Sente-se e mantenha-se ereto

Ficar sentado ajuda a reduzir a pressão nos vasos sanguíneos da região nasal e permite controlar melhor o sangramento.

Evite deitar enquanto o nariz estiver sangrando.

2. Incline a cabeça levemente para a frente

A cabeça não deve ser jogada para trás.

Inclinar-se para a frente ajuda a evitar que o sangue escorra para a garganta, seja engolido e provoque náusea ou vômito.

3. Aperte a parte macia do nariz

Use o polegar e o indicador para pressionar as duas narinas na região macia do nariz.

A pressão deve ser firme e contínua.

Mesmo que apenas uma narina esteja sangrando, comprimir os dois lados facilita a pressão sobre a região anterior do septo nasal, onde surgem muitos episódios de epistaxe.

4. Mantenha a pressão sem interromper

Não solte o nariz a cada minuto para conferir se o sangramento parou.

Mantenha a compressão continuamente por aproximadamente 10 a 15 minutos, observando o relógio.

A diretriz clínica da American Academy of Otolaryngology, Head and Neck Surgery também considera a compressão firme e sustentada da região inferior do nariz uma intervenção inicial para sangramento ativo.

5. Respire pela boca

Enquanto mantém as narinas comprimidas, respire normalmente pela boca.

Caso algum sangue chegue à boca, prefira cuspi-lo em vez de engoli-lo.

E o gelo?

Uma compressa fria sobre a região externa do nariz pode ser utilizada como medida auxiliar. No entanto, o próprio NHS informa que a evidência sobre seu benefício é limitada. A medida mais importante continua sendo a compressão correta e contínua da parte macia do nariz.

O que não fazer quando o nariz está sangrando?

Alguns hábitos populares podem dificultar o controle da epistaxe.

Faça Evite
Sente-se Deitar
Incline a cabeça para a frente Jogar a cabeça para trás
Pressione a parte macia do nariz Apertar somente a região óssea
Mantenha pressão contínua Soltar repetidamente para conferir
Respire pela boca Engolir grande quantidade de sangue
Aguarde o tempo completo da compressão Assoar o nariz imediatamente
Procure assistência se o quadro for intenso ou persistente Introduzir papel, algodão ou objetos na narina

Colocar a cabeça para trás é especialmente inadequado porque favorece o escoamento do sangue em direção à garganta.

O que é epistaxe?

Epistaxe é o termo médico utilizado para o sangramento que se origina nas narinas, na cavidade nasal ou na região posterior do nariz.

A parte interna do nariz possui muitos vasos sanguíneos próximos à superfície. Ressecamento, manipulação, inflamação ou pequenos traumas podem romper esses vasos e provocar sangramento.

Na maioria dos episódios, a origem está mais próxima da parte anterior do nariz. Sangramentos originados em regiões posteriores são menos frequentes e podem exigir avaliação hospitalar, principalmente quando apresentam maior intensidade ou dificuldade de controle.


Sangramento nasal é muito comum. A diretriz clínica da American Academy of Otolaryngology, Head and Neck Surgery estima que pelo menos 60% das pessoas nos Estados Unidos apresentam algum episódio de epistaxe ao longo da vida, embora apenas cerca de 6% procurem atendimento médico por causa do sangramento. A maioria dos episódios é limitada, mas quadros intensos, persistentes ou recorrentes exigem atenção diferente.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31910111/

 

Por que o nariz sangra?

Não existe uma única causa para nariz sangrando. Em algumas pessoas, o episódio acontece depois de um pequeno trauma. Em outras, fatores ambientais, inflamatórios, medicamentos ou alterações da coagulação podem contribuir.

Tempo seco e ressecamento nasal

Uma mucosa nasal muito seca tende a formar pequenas fissuras e crostas.

Quando essas crostas se rompem, vasos superficiais podem sangrar.

O ressecamento pode aumentar durante períodos de clima seco, exposição prolongada ao ar-condicionado ou mudanças de temperatura. O NHS e a Mayo Clinic incluem ressecamento entre causas frequentes de epistaxe.

Cutucar ou manipular o nariz

A manipulação frequente do interior das narinas pode provocar pequenos ferimentos e romper vasos.

Essa é uma causa particularmente comum em crianças.

Assoar o nariz com força

Assoar repetidamente ou com muita força também pode traumatizar a mucosa, especialmente quando ela já está irritada ou ressecada.

Rinite e inflamação nasal

A rinite pode contribuir indiretamente para sangramentos.

Durante crises, a mucosa fica inflamada e o paciente costuma assoar, coçar ou manipular o nariz com maior frequência. Esse conjunto de fatores pode aumentar a fragilidade local.

Ter rinite não significa que todo episódio de epistaxe seja causado por ela. Sangramentos recorrentes devem ser analisados individualmente.

Trauma ou pancada no nariz

Pancadas, quedas e outros traumas faciais podem causar sangramento nasal.

Quando a epistaxe ocorre após trauma importante, principalmente se houver deformidade do nariz, dor intensa, dificuldade para respirar ou traumatismo da cabeça, a avaliação deve ser mais rápida. NHS e Mayo orientam procurar assistência diante de sangramentos relacionados a traumas relevantes.

Medicamentos anticoagulantes e antiplaquetários

Medicamentos que reduzem a capacidade de coagulação podem aumentar a intensidade ou prolongar episódios de sangramento.

É importante informar ao médico todos os medicamentos utilizados.

Não suspenda anticoagulantes ou antiplaquetários por conta própria. A diretriz da AAO-HNS recomenda priorizar medidas iniciais para controle da epistaxe antes da retirada ou reversão desses medicamentos quando não existe sangramento com risco de vida.

Alterações da coagulação

Doenças que interferem na coagulação também podem aumentar a frequência ou intensidade da epistaxe.

Histórico pessoal ou familiar de sangramentos frequentes deve ser informado ao médico.

Pressão alta causa sangramento nasal?

Não é correto considerar a hipertensão uma causa automática de sangramento nasal.

O NHS inclui pessoas com pressão alta entre os grupos que apresentam maior probabilidade de ter epistaxe. A Mayo Clinic, por outro lado, ressalta que, de maneira geral, o sangramento nasal não deve ser interpretado como sintoma ou consequência direta da hipertensão.

Isso significa que encontrar pressão arterial elevada durante um episódio de epistaxe não prova, por si só, que ela provocou o sangramento.

Quando pressão alta e sangramentos recorrentes ou intensos aparecem juntos, ambos precisam ser avaliados dentro do contexto clínico do paciente.

Fontes:
https://www.nhs.uk/conditions/nosebleed/
https://www.mayoclinic.org/symptoms/nosebleeds/basics/causes/sym-20050914

 

Outras alterações dentro do nariz

Sangramentos recorrentes, principalmente quando acontecem repetidamente de apenas um lado, podem justificar uma avaliação mais detalhada da cavidade nasal.

A diretriz da AAO-HNS recomenda endoscopia nasal em pacientes com sangramento recorrente apesar de tratamentos anteriores ou com episódios unilaterais recorrentes para identificar o local da hemorragia e orientar a conduta.

Qual é a diferença entre epistaxe anterior e posterior?

A epistaxe pode ser classificada de acordo com a região do nariz onde ocorre o sangramento.

Epistaxe anterior

É o padrão mais comum.

O sangramento se origina em vasos localizados mais próximos da entrada do nariz, frequentemente na região anterior do septo.

Em muitos casos, responde à compressão correta.

Epistaxe posterior

O sangramento surge em uma região mais profunda da cavidade nasal.

Pode ser mais difícil identificar a origem e controlar apenas com compressão.

Esses quadros tendem a justificar avaliação médica mais rápida, principalmente quando o volume de sangue é elevado.

Quando o sangramento nasal é preocupante?

Nem todo nariz sangrando representa uma emergência. No entanto, intensidade, persistência, sintomas associados e condições clínicas do paciente podem mudar completamente a situação.

Procure atendimento com urgência quando:

  • o sangramento for intenso
  • houver dificuldade para respirar
  • ocorrer fraqueza, tontura ou sensação de desmaio
  • grande quantidade de sangue estiver sendo engolida
  • o sangramento começar após trauma importante na cabeça ou face
  • não houver resposta adequada à compressão contínua
  • houver doença conhecida da coagulação
  • o paciente utilizar anticoagulantes e o sangramento for difícil de controlar

As referências não utilizam exatamente o mesmo limite de tempo. O NHS recomenda atendimento de urgência quando o sangramento continua por mais de 10 a 15 minutos, enquanto a Mayo Clinic utiliza um intervalo maior em algumas de suas orientações. Por isso, não é adequado transformar um único número em regra universal. Intensidade do sangramento, resposta à compressão e condições associadas também precisam ser consideradas.

Nariz sangrando por mais de 20 minutos é perigoso?

Um sangramento que persiste apesar de compressão correta merece atenção.

Mais importante do que aguardar exatamente 20 minutos é avaliar se a pessoa realizou a compressão corretamente, se existe grande perda de sangue e se aparecem sintomas como tontura, fraqueza ou dificuldade para respirar.

Se o sangramento for intenso ou continuar após uma tentativa adequada de compressão contínua, procure atendimento.

Por que meu nariz sangra com frequência?

Sangramento nasal recorrente não deve ser simplesmente normalizado.

Entre as possibilidades que podem ser investigadas estão:

  • ressecamento persistente
  • manipulação repetida da mucosa
  • rinite ou outras inflamações
  • vasos superficiais mais frágeis
  • medicamentos
  • problemas da coagulação
  • alterações estruturais ou lesões dentro da cavidade nasal

Em situações específicas, o histórico familiar também é relevante. A diretriz da AAO-HNS recomenda investigar sinais de telangiectasia hemorrágica hereditária quando existem episódios recorrentes de sangramento nas duas narinas ou histórico familiar de epistaxe recorrente. Trata-se de uma condição específica e incomum, portanto ter sangramentos frequentes não significa, por si só, apresentar essa doença.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31910111/

 

A Mayo Clinic orienta procurar avaliação quando os episódios são frequentes, mesmo quando é possível interrompê-los em casa.

Sangramento em apenas uma narina é preocupante?

Um episódio isolado em apenas uma narina não significa necessariamente algo grave.

Porém, quando o sangramento unilateral se repete, a investigação ganha importância.

A diretriz da AAO-HNS recomenda avaliação por endoscopia nasal nos casos de epistaxe unilateral recorrente para localizar o ponto de sangramento e investigar possíveis alterações dentro da cavidade nasal.

Nariz sangrando pode ser câncer?

Pode estar relacionado a tumores nasais ou paranasais em situações menos comuns, mas isso não significa que um episódio de sangramento nasal seja sinal de câncer.

A maioria das epistaxes tem causas muito mais frequentes, como ressecamento da mucosa, pequenos traumas e manipulação nasal.

O que merece atenção é o padrão do sangramento. Episódios recorrentes, principalmente quando acontecem repetidamente do mesmo lado, justificam uma avaliação mais detalhada da cavidade nasal.

A diretriz da AAO-HNS recomenda endoscopia nasal em casos de epistaxe unilateral recorrente justamente para localizar o ponto de sangramento e investigar possíveis alterações não identificadas na avaliação inicial.

Portanto, o objetivo não é presumir uma doença grave, mas evitar que um sangramento persistente ou repetitivo seja banalizado sem que sua origem seja conhecida.

Fontes científicas:
https://www.mayoclinic.org/symptoms/nosebleeds/basics/causes/sym-20050914
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31910111/

 

Nariz sangrando em crianças: quando se preocupar?

Epistaxe é comum na infância.

Ressecamento, pequenos traumas, cutucar o nariz e inflamações nasais estão entre os fatores frequentes.

A conduta inicial segue o mesmo princípio: criança sentada, cabeça levemente para a frente e compressão contínua da região macia do nariz por 10 a 15 minutos.

Episódios muito frequentes, sangramento intenso ou sinais de outros problemas de coagulação justificam avaliação médica.

Em crianças menores de 2 anos, o sangramento nasal merece avaliação médica. NHS e Mayo Clinic destacam essa faixa etária entre as situações em que não se deve tratar o episódio apenas como uma epistaxe comum em casa.

Fontes:
https://www.nhs.uk/conditions/nosebleed/
https://www.mayoclinic.org/symptoms/nosebleeds/basics/causes/sym-20050914

 

Como o otorrinolaringologista investiga sangramentos nasais recorrentes?

A consulta não serve apenas para confirmar que houve um sangramento.

O objetivo é localizar sua origem e compreender por que ele está acontecendo.

História clínica

O médico pode investigar:

  • frequência dos episódios
  • duração
  • intensidade
  • se ocorre sempre do mesmo lado
  • traumas
  • rinite e outros sintomas nasais
  • medicamentos
  • anticoagulantes
  • doenças da coagulação
  • histórico familiar de sangramentos

A AAO-HNS recomenda documentar fatores que podem aumentar a frequência ou gravidade da epistaxe, incluindo distúrbios hemorrágicos e uso de anticoagulantes ou antiplaquetários.

Exame da cavidade nasal

O otorrinolaringologista pode observar a região anterior do nariz em busca de:

  • crostas
  • ferimentos
  • vasos superficiais
  • inflamação
  • secreções
  • possível ponto de sangramento

A rinoscopia anterior faz parte da investigação recomendada quando é necessário localizar a origem da epistaxe.

Endoscopia nasal

Quando o sangramento é recorrente, unilateral, difícil de controlar ou não tem uma origem facilmente identificável, a endoscopia nasal pode permitir avaliação das regiões mais profundas.

Exames complementares

Exames laboratoriais ou de imagem não são necessários para todas as pessoas.

Eles podem ser solicitados conforme a intensidade, a frequência dos episódios, os medicamentos utilizados e as hipóteses levantadas durante a avaliação.

Como o otorrino trata uma epistaxe que não para?

O tratamento depende da intensidade e do local de origem.

Cauterização nasal

Quando o ponto responsável pelo sangramento é identificado, a cauterização pode ser utilizada para controlar o vaso.

A diretriz da AAO-HNS orienta que a cauterização seja direcionada ao local ativo ou suspeito do sangramento.

Tamponamento nasal

Se o sangramento continuar e não for possível identificar adequadamente sua origem, o tamponamento nasal pode ser necessário.

Existem diferentes materiais e técnicas. Em pessoas com maior risco hemorrágico ou que utilizam anticoagulantes, a diretriz recomenda considerar materiais reabsorvíveis.

Tratamentos para quadros persistentes

Casos que continuam sangrando apesar de cauterização ou tamponamento podem exigir outras intervenções especializadas.

A diretriz inclui procedimentos cirúrgicos para controle arterial ou embolização em situações selecionadas e refratárias.

Como evitar que o nariz volte a sangrar?

Depois que o sangramento parar, a mucosa precisa de tempo para se recuperar.

Nas horas seguintes, principalmente durante o primeiro dia, procure evitar:

  • assoar o nariz
  • cutucar ou retirar crostas
  • esforço físico intenso
  • levantar objetos pesados
  • bebidas alcoólicas
  • bebidas muito quentes

Essas recomendações ajudam a reduzir o risco de reinício do sangramento.

Quando o problema está relacionado ao ressecamento, o médico também pode orientar medidas para manter a mucosa nasal hidratada.

Primeiros socorros para epistaxe em um único olhar

Nariz começou a sangrar

↓

Sente-se

↓

Incline a cabeça para a frente

↓

Comprima a parte macia do nariz

↓

Mantenha a pressão por 10 a 15 minutos sem soltar

↓

Respire pela boca

↓

Parou? Evite esforço, assoar e manipular o nariz

↓

Não parou, está muito intenso ou existem sinais de alerta? Procure atendimento

Perguntas frequentes sobre nariz sangrando

Perguntas frequentes sobre nariz sangrando

Perguntas frequentes sobre nariz sangrando

O que fazer quando o nariz começa a sangrar?

Sente-se, incline a cabeça ligeiramente para a frente e pressione a parte macia do nariz continuamente por cerca de 10 a 15 minutos. Respire pela boca e evite inclinar a cabeça para trás.

Quanto tempo devo apertar o nariz?

NHS e outras referências orientam aproximadamente 10 a 15 minutos de compressão contínua. Não interrompa repetidamente para conferir se o sangue parou.

Por que não devo inclinar a cabeça para trás?

Porque o sangue pode escorrer pela garganta e ser engolido, provocando náusea, vômito ou desconforto.

Nariz sangrando é perigoso?

Na maioria dos episódios, não. Porém, sangramentos intensos, persistentes, recorrentes ou acompanhados de outros sintomas precisam de avaliação.

Quando devo procurar pronto atendimento?

Quando houver grande perda de sangue, dificuldade respiratória, tontura, fraqueza, trauma importante ou falha das medidas iniciais para controlar o sangramento.

Por que meu nariz sangra do nada?

O episódio pode estar relacionado a ressecamento, pequenas lesões da mucosa, inflamação, manipulação ou outras causas que nem sempre são percebidas no momento.

Tempo seco faz o nariz sangrar?

Pode contribuir. O ar seco favorece o ressecamento e a formação de pequenas fissuras na mucosa nasal.

Rinite pode provocar sangramento?

Pode contribuir, principalmente quando há inflamação, coceira, manipulação e assoar repetidamente o nariz.

Pressão alta pode causar epistaxe?

A hipertensão pode estar associada ao quadro, mas não deve ser considerada automaticamente a única causa do sangramento nasal.

Anticoagulantes podem piorar o sangramento?

Sim. Esses medicamentos podem aumentar ou prolongar episódios hemorrágicos. Eles não devem ser suspensos por conta própria.

Por que uma criança sangra pelo nariz?

Ressecamento, pequenos traumas e manipulação das narinas estão entre causas comuns em crianças.

Sangramento nasal frequente precisa de otorrino?

Sim. Episódios recorrentes justificam investigação para identificar o ponto de sangramento e possíveis fatores associados.

Como evitar novos episódios?

Evite manipular o nariz, trate fatores que ressequem ou inflamem a mucosa conforme orientação médica e siga os cuidados indicados após cada episódio.

Quando é necessária cauterização nasal?

Pode ser indicada quando o médico consegue identificar um vaso ou ponto específico responsável pelo sangramento e considera essa abordagem adequada.

Qual é a diferença entre epistaxe anterior e posterior?

A anterior surge mais próxima da entrada do nariz e é mais comum. A posterior tem origem mais profunda e pode ser mais difícil de controlar.

Se o nariz sangra repetidamente, controlar o episódio é apenas metade do cuidado

Saber interromper uma epistaxe é importante. Mas quando o sangramento volta com frequência, acontece sempre do mesmo lado, aumenta de intensidade ou surge sem uma explicação evidente, compreender a causa torna-se tão importante quanto estancar o sangue.

A avaliação otorrinolaringológica permite examinar a cavidade nasal, identificar possíveis pontos de sangramento e decidir se são necessários cuidados preventivos, cauterização, exames complementares ou outro tipo de tratamento.

Primeiro, pare o sangramento. Depois, entenda por que ele aconteceu.

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Fontes e referências

Post da Clínica Luiz Pires de Mello que inspirou este artigo:
Instagram da Clínica Luiz Pires de Mello: 

NHS, Nosebleed: orientações de primeiros socorros, sinais de alerta e cuidados após o episódio.
Consultar a fonte do NHS

Mayo Clinic, Nosebleeds First Aid: orientação para posição corporal, compressão e procura de atendimento.
Consultar a fonte da Mayo Clinic

American Academy of Otolaryngology, Head and Neck Surgery, Clinical Practice Guideline: Nosebleed (Epistaxis): diretriz clínica para avaliação, compressão, tamponamento, cauterização e investigação da epistaxe.
Consultar a diretriz da AAO-HNS

Tunkel DE et al. Clinical Practice Guideline: Nosebleed (Epistaxis). Publicação indexada no PubMed.
Consultar o artigo no PubMed

Sobre a Autoria

Responsável técnico pelo conteúdo:
Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello
Especialidade: Otorrinolaringologia

Este conteúdo foi desenvolvido com base na experiência clínica acumulada pela Clínica Luiz Pires de Mello, instituição dedicada à Otorrinolaringologia desde 1962. Com mais de seis décadas de atuação contínua, a clínica reúne tradição médica, precisão diagnóstica e atendimento centrado no paciente, contribuindo para a educação em saúde por meio de conteúdos informativos baseados em prática clínica e conhecimento científico.

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https://clinicaluizpiresdemello.com.br/wp-content/uploads/2026/08/nariz-sangrando-o-que-fazer-na-hora.jpg 800 1200 Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello https://clinicaluizpiresdemello.com.br/wp-content/uploads/2018/12/logo_pires_de_mello-293x300.png Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello2026-08-07 06:00:082026-08-28 00:10:32Nariz sangrando: o que fazer na hora, causas e quando procurar atendimento

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Clínica Luiz Pires de Mello, Otorrinolaringologia, desde 1962

Clínica Luiz Pires de Mello

Comunicado

Um novo capítulo na história da Clínica Luiz Pires de Mello

Niterói, 24 de agosto de 2026

É com grande alegria que compartilhamos uma novidade muito especial.

Fundada em 1962 pelo Prof. Luiz Rogério Pires de Mello, a Clínica Luiz Pires de Mello construiu, ao longo de mais de seis décadas, uma trajetória marcada pela excelência médica, pelo cuidado e pela confiança de gerações de pacientes.

A partir de agora, a gestão da clínica passa a ser conduzida integralmente pela Dra. Andréa Pires de Mello, Dra. Gisella Pires de Mello e Dr. Rogério Pires de Mello Netto, com o apoio do Dr. Mauro Pereira de Azevedo.

Juntos, assumem este novo capítulo com profundo respeito por tudo o que foi construído e com o compromisso de dar continuidade a esse legado.

Queremos preservar aquilo que sempre foi essencial: a tradição, a excelência médica, o cuidado e o acolhimento.