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Ouvido tampado: o que pode ser, como aliviar e quando procurar um otorrino

19 de agosto de 2026/em Audição, Ouvido/por Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello

Revisão médica: Dra. Andrea Pires de Mello, médica otorrinolaringologista, CRM-RJ 52 51976-9/ RQE 33762, chefe do Centro de Pesquisa em Audição e Equilíbrio da Clínica Pires de Mello e mestre pela Fiocruz.

Última revisão médica: 01 de Setembro de 2026. 

Seu ouvido parece estar cheio, abafado ou como se tivesse água dentro? Antes de tentar retirar cera, existe algo importante que você precisa saber: ouvido tampado nem sempre significa excesso de cerume.

A sensação pode surgir por situações relativamente simples, como acúmulo de cera ou mudanças de pressão. Também pode estar relacionada à disfunção da tuba auditiva, infecções, presença de líquido no ouvido médio, alterações da audição e, em alguns pacientes, problemas da articulação temporomandibular. O material clínico que deu origem a este artigo também destaca cera, alterações de pressão, infecções e disfunção da tuba auditiva entre as possíveis causas.

Existe, porém, uma situação que merece atenção especial: quando o ouvido fica subitamente abafado e a audição diminui, principalmente de um lado.

A perda auditiva neurossensorial súbita pode ser percebida inicialmente como sensação de ouvido cheio, pressão, zumbido ou audição abafada. O National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD) alerta que algumas pessoas adiam a procura por atendimento porque acreditam estar apenas com cera, alergia ou congestão. A instituição considera a perda auditiva súbita uma emergência médica.

Fonte científica:
https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness

Por isso, a pergunta mais importante não é simplesmente “como destampar o ouvido?”. O primeiro passo é descobrir por que ele parece tampado.

Resposta rápida

Ouvido tampado pode ser causado por cerume acumulado, alterações de pressão, disfunção da tuba auditiva, otites, líquido no ouvido médio e problemas da própria audição. A combinação dos sintomas ajuda a direcionar a investigação. Se a sensação surgir de repente com redução da audição, principalmente em apenas um ouvido, procure avaliação médica rapidamente para descartar perda auditiva súbita.

Ouvido tampado: o que pode ser?

A sensação de ouvido tampado, também chamada de plenitude auricular, é um sintoma, não um diagnóstico.

Isso significa que duas pessoas podem sentir exatamente a mesma pressão ou abafamento no ouvido e apresentar causas completamente diferentes.

Em algumas situações, existe realmente algo bloqueando o canal auditivo, como uma rolha de cerume. Em outras, o canal está livre, mas alterações do ouvido médio, da tuba auditiva, da pressão ou do sistema auditivo produzem a mesma sensação.

Entre as causas que podem entrar no diagnóstico estão:

  • excesso de cerume
    • disfunção da tuba auditiva
    • alteração de pressão durante voo ou mergulho
    • otite
    • presença de líquido no ouvido médio
    • perda auditiva
    • alterações do ouvido interno
    • problemas da articulação temporomandibular em alguns pacientes

A causa não deve ser determinada apenas pela sensação de bloqueio.

O que os outros sintomas podem revelar sobre o ouvido tampado?

Os sintomas que acompanham a plenitude auricular ajudam o otorrinolaringologista a compreender onde o problema pode estar.

Como o ouvido tampado aparece O que pode estar relacionado
Coceira e audição abafada Acúmulo de cerume
Depois de gripe ou resfriado Disfunção da tuba auditiva ou líquido no ouvido médio
Durante avião, subida de serra ou mergulho Alteração de pressão
Dor e febre Infecção, entre outras possibilidades
Sensação de estalos Alteração da tuba auditiva, entre outras causas
Zumbido associado Necessidade de avaliar audição e outras estruturas
Tontura ou vertigem Investigação auditiva e vestibular pode ser necessária
Surgimento súbito com queda auditiva Perda auditiva súbita precisa ser descartada rapidamente
Dor ou estalos na mandíbula Disfunção temporomandibular pode entrar no diagnóstico diferencial
Apenas um ouvido por período prolongado Merece investigação da causa

Essa tabela não substitui diagnóstico. Ela funciona como um mapa para compreender por que a avaliação precisa considerar o conjunto de sintomas e não apenas a sensação de “entupimento”.

Ouvido tampado é sempre excesso de cera?

Não. Cerume impactado é apenas uma das possíveis causas.

O excesso de cera pode provocar sensação de ouvido bloqueado, redução da audição, dor, zumbido e, ocasionalmente, tontura. Entretanto, esses sintomas também aparecem em outras condições.

Fonte:
https://www.nhs.uk/conditions/earwax-build-up/

Por esse motivo, assumir que todo ouvido tampado precisa de “limpeza” pode levar a tentativas desnecessárias e até a lesões.

Como saber se o ouvido está tampado de cera?

Os sintomas isolados não confirmam uma rolha de cerume.

A maneira mais segura de verificar é examinar o canal auditivo.

Durante a consulta, o profissional consegue observar se existe excesso de cera, qual o grau de obstrução e se há alguma condição que contraindique determinadas formas de remoção.

Água no ouvido pode causar sensação de ouvido tampado?

Sim. Depois do banho, piscina ou mar, a água pode permanecer temporariamente no canal auditivo e provocar sensação de ouvido cheio ou audição abafada.

Em algumas pessoas, o problema também aparece porque a água entra em contato com cerume acumulado e modifica a posição ou o volume dessa cera, deixando o ouvido aparentemente ainda mais bloqueado.

Na maioria das vezes, a água tende a sair espontaneamente. Manter o ouvido voltado para baixo e secar apenas a região externa com uma toalha são medidas simples que podem ajudar.

Não introduza cotonetes ou outros objetos para tentar alcançar a água.

Se a sensação persistir ou aparecerem dor, coceira importante, secreção ou inchaço, é necessária avaliação, pois umidade prolongada no canal auditivo pode favorecer otite externa.

Fonte:
https://www.cdc.gov/healthy-swimming/prevention/preventing-swimmers-ear.html

Cotonete pode deixar o ouvido ainda mais tampado?

Sim.

Hastes flexíveis podem retirar parte da cera mais superficial, mas também podem empurrar o cerume em direção ao fundo do canal e piorar a impactação. Também existe risco de traumatizar o canal auditivo.

Fonte:
https://www.enthealth.org/be_ent_smart/earwax-prevention-faqs/

Por isso, não introduza cotonetes, grampos, tampas de caneta ou outros objetos no canal auditivo para tentar “destampar” o ouvido.

Por que o ouvido fica tampado depois de gripe, resfriado ou rinite?

Uma das estruturas importantes nesse cenário é a tuba auditiva, também conhecida como tuba de Eustáquio.

Ela conecta o ouvido médio à região posterior do nariz e participa do equilíbrio de pressão e da ventilação do ouvido médio.

Quando essa estrutura não funciona adequadamente, pode surgir:

  • sensação de ouvido cheio
    • pressão
    • estalos
    • audição abafada
    • desconforto
    • zumbido em alguns casos

O consenso internacional sobre disfunção da tuba auditiva reconhece plenitude auricular, sensação de pressão e estalos entre as manifestações importantes da condição.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26347263/

O que gripe e rinite têm a ver com isso?

Infecções respiratórias e processos inflamatórios nasais podem interferir temporariamente no funcionamento da tuba auditiva.

O paciente pode perceber que, depois de uma gripe ou resfriado, o nariz melhora, mas o ouvido continua abafado por algum tempo.

Em outros casos, pode haver acúmulo de líquido no ouvido médio, situação que também altera a transmissão do som.

Se o sintoma persiste, principalmente com redução auditiva, dor ou outros sinais associados, vale investigar.

Toda disfunção da tuba auditiva significa que ela está obstruída?

Não.

Existem diferentes tipos de disfunção da tuba auditiva. Na forma obstrutiva, existe dificuldade para ventilar adequadamente o ouvido médio. Já na chamada tuba auditiva patulosa, a estrutura permanece aberta de maneira inadequada.

Nesse segundo quadro, além de plenitude auricular, algumas pessoas percebem a própria voz ou a respiração excessivamente altas dentro do ouvido, fenômeno chamado autofonia.

Como os sintomas podem se sobrepor, sensação de ouvido tampado não é suficiente para definir qual alteração da tuba está presente.

Fonte científica atualizada:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42276851/

Ouvido tampado no avião ou depois do mergulho: por que acontece?

Quando a pressão do ambiente muda rapidamente, o ouvido médio precisa compensar essa diferença.

A tuba auditiva participa desse processo.

Durante a descida de um avião, subida ou descida rápida de altitude e mergulho, algumas pessoas não conseguem equalizar a pressão adequadamente e sentem:

  • ouvido tampado
    • pressão
    • dor
    • estalos
    • audição abafada

O consenso internacional sobre disfunção da tuba auditiva reconhece especificamente uma forma relacionada às mudanças de pressão ambiental, chamada disfunção induzida por variação de pressão.

O ouvido pode continuar tampado depois do voo?

Pode.

Em episódios leves, a sensação tende a melhorar conforme a pressão é normalizada.

Entretanto, dor persistente, redução importante da audição, zumbido intenso, tontura, sangramento ou sintomas prolongados justificam avaliação.

Evite realizar manobras agressivas para forçar a equalização, principalmente quando houver dor intensa ou tontura.

Otite pode causar sensação de ouvido tampado?

Sim.

Processos inflamatórios e infecciosos podem alterar o canal auditivo, o tímpano ou o ouvido médio e provocar sensação de pressão ou audição abafada.

Quando a plenitude aparece associada a:

  • dor
    • febre
    • secreção
    • piora importante da audição
    • mal estar

a possibilidade de infecção precisa ser considerada.

Não pingue substâncias ou medicamentos aleatórios no ouvido sem conhecer a condição do canal e do tímpano.

Onde pode estar o problema quando o ouvido parece tampado?

Um dos motivos pelos quais a plenitude auricular possui tantas causas é que diferentes regiões podem produzir sensações semelhantes.

Canal auditivo

É onde podem ocorrer:

  • excesso de cerume
    • corpo estranho
    • inflamações
    • edema do canal

Nesses casos, pode existir uma obstrução física real.

Ouvido médio

É a região localizada atrás do tímpano.

Problemas de pressão, líquido e algumas infecções podem produzir audição abafada e sensação de ouvido cheio.

Tuba auditiva

Quando a ventilação do ouvido médio fica prejudicada, o paciente pode sentir pressão, estalos e abafamento.

Ouvido interno

Alterações auditivas ou vestibulares também podem ser percebidas como plenitude auricular.

É nesse grupo que a perda auditiva súbita ganha especial importância.

Fora do próprio ouvido

Algumas condições podem produzir sintomas percebidos na região auricular mesmo sem haver uma obstrução no canal.

A disfunção temporomandibular, por exemplo, aparece associada a sintomas auriculares em estudos clínicos, incluindo sensação de plenitude.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28103655/

Ouvido tampado pode ser perda auditiva?

Sim, e essa é uma das informações mais importantes deste artigo.

Nem toda perda auditiva começa com a sensação clara de “não estou ouvindo”.

Algumas pessoas percebem primeiro:

  • ouvido cheio
    • abafamento
    • pressão
    • zumbido
    • alteração repentina da audição

O NIDCD informa que a perda auditiva neurossensorial súbita pode ocorrer rapidamente e costuma atingir apenas um ouvido. Plenitude auricular, zumbido e tontura podem acompanhar o quadro.

O risco de confundir com cera

Esse é exatamente o problema.

O próprio NIDCD alerta que pacientes podem adiar a procura por atendimento por acreditarem que a audição diminuiu devido a cera, sinusite, alergia ou outras condições aparentemente simples.

A recomendação é considerar os sintomas de perda auditiva súbita uma emergência médica.

Fonte científica:
https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness

Ouvido tampado de repente de um lado exige atenção?

Quando a sensação surge de forma súbita e existe uma redução perceptível da audição, sim.

Especialmente se vier acompanhada de:

  • zumbido novo
    • tontura
    • sensação intensa de pressão
    • percepção de que um ouvido está ouvindo muito menos que o outro

não espere vários dias tentando “desentupir”.

A American Academy of Otolaryngology, Head and Neck Surgery mantém uma diretriz específica para promover reconhecimento e manejo rápidos da perda auditiva súbita.

Fonte científica:
https://www.entnet.org/quality-practice/quality-products/clinical-practice-guidelines/sudden-hearing-loss-update/

Por que não é indicado esperar vários dias para ver se melhora?

Porque, quando existe suspeita de perda auditiva súbita, o tempo faz parte da investigação. A diretriz da American Academy of Otolaryngology, Head and Neck Surgery recomenda que a audiometria seja realizada o mais rápido possível e, no máximo, dentro de 14 dias do início dos sintomas para confirmar ou excluir perda auditiva neurossensorial súbita.

Isso não significa que a pessoa deva esperar 14 dias para procurar atendimento. O prazo representa o limite recomendado para confirmação audiométrica. Se a audição diminuiu subitamente, principalmente em apenas um ouvido, a avaliação deve ser procurada rapidamente.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31369349/

Ouvido tampado com zumbido é preocupante?

Zumbido pode aparecer em diferentes condições, inclusive acúmulo de cerume.

Portanto, a associação não indica automaticamente um problema grave.

O que muda a prioridade é o contexto.

Um zumbido novo acompanhado de redução auditiva súbita, principalmente unilateral, precisa ser avaliado rapidamente.

Zumbido persistente associado a ouvido tampado também merece investigação quando não existe uma causa conhecida.

Ouvido tampado e tontura podem ter relação com o ouvido interno?

Podem.

O ouvido interno participa tanto da audição quanto do equilíbrio.

Por isso, determinados problemas podem produzir sintomas auditivos e vestibulares simultaneamente.

No entanto, “tontura” é um termo amplo e possui diversas causas. Ouvido tampado com tontura não significa automaticamente “labirintite”.

Uma das condições que podem entrar no diagnóstico diferencial é a doença de Ménière. Nela, a plenitude auricular pode ocorrer junto com episódios de vertigem, zumbido e flutuação da audição.

Isso não significa que ouvido tampado com tontura seja doença de Ménière. O diagnóstico exige um conjunto específico de critérios clínicos e audiológicos.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25882471/

A avaliação clínica ajuda a diferenciar vertigem, desequilíbrio, sensação de cabeça leve e outras manifestações.

Quando o ouvido tampado exige atendimento mais rápido?

Procure avaliação rapidamente quando houver:

  • redução súbita da audição
    • ouvido subitamente abafado de apenas um lado
    • zumbido novo associado à queda auditiva
    • tontura ou vertigem intensa associada a alteração auditiva
    • dor muito forte
    • secreção pelo ouvido
    • sangramento
    • sintomas depois de trauma relevante
    • febre associada a quadro importante
    • alterações neurológicas

A prioridade máxima deve ser dada à diminuição súbita da audição, pois uma perda auditiva neurossensorial súbita não deve ser tratada como simples sensação de ouvido tampado.

O que não fazer para tentar destampar o ouvido?

A sensação de bloqueio costuma gerar vontade de agir imediatamente.

É justamente aí que algumas pessoas pioram o problema.

Não introduza cotonetes

Eles podem empurrar a cera para regiões mais profundas e traumatizar o canal auditivo.

Não utilize objetos

Grampos, pinças, tampas de caneta ou outros objetos podem provocar ferimentos e até lesionar o tímpano.

Não presuma que seja cera

Se a causa for alteração de pressão, infecção, perda auditiva ou outro problema, retirar cera não resolverá o sintoma.

Não pingue substâncias aleatórias

Óleos, álcool, água oxigenada, medicamentos e outras soluções não devem ser usados indiscriminadamente sem conhecer a condição do ouvido.

O próprio NHS apresenta contraindicações e cuidados para determinados tratamentos de cerume, e serviços de saúde alertam que gotas não devem ser utilizadas indiscriminadamente quando há suspeita de perfuração, infecção ou outras condições.

Não espere uma perda auditiva súbita “desentupir”

Se o abafamento surgiu de repente com queda da audição, procure assistência médica.

Como aliviar o ouvido tampado com segurança?

A resposta depende completamente da causa.

Se for cera impactada

O tratamento envolve manejo do cerume conforme a avaliação do canal e do tímpano.

Em casos de verdadeira obstrução, a remoção pode restaurar a audição aos níveis anteriores ao bloqueio.

Se for alteração da tuba auditiva

O tratamento depende do mecanismo envolvido e de fatores associados, como inflamação nasal ou alterações do ouvido médio.

Se ocorreu depois de uma mudança de pressão

Movimentos fisiológicos suaves, como engolir ou bocejar, participam naturalmente da abertura da tuba auditiva. Se houver dor intensa, tontura ou redução auditiva persistente, não force manobras e procure avaliação.

Se houver infecção

O tratamento depende do tipo e da localização da infecção.

Se houver perda auditiva súbita

Não é uma situação para tratamento caseiro.

É necessária avaliação médica rápida.

Por isso, como aliviar o ouvido tampado depende primeiro de saber por que ele está tampado.

Como o otorrinolaringologista descobre a causa?

O diagnóstico começa antes de qualquer exame sofisticado.

A maneira como o sintoma começou já fornece informações importantes.

História do sintoma

O médico pode perguntar:

  • começou de repente ou gradualmente?
    • ocorre em um ouvido ou nos dois?
    • existe redução da audição?
    • apareceu depois de gripe?
    • houve viagem de avião ou mergulho?
    • existe dor?
    • há zumbido?
    • há tontura?
    • existe secreção?
    • há estalos na mandíbula?

Cada resposta modifica as possibilidades diagnósticas.

Otoscopia ou otomicroscopia

Permitem visualizar o canal auditivo e o tímpano.

O exame pode identificar situações como:

  • cerume
    • alterações do canal
    • sinais de inflamação
    • algumas alterações do tímpano
    • presença de secreções

Audiometria

Quando existe suspeita de alteração da audição, a audiometria ajuda a determinar se realmente há perda auditiva e quais frequências estão envolvidas.

Ela é especialmente importante quando o paciente descreve o ouvido como “abafado”, mas não consegue definir se houve queda real da audição.

Imitanciometria e timpanometria

Esses exames fornecem informações sobre o funcionamento do ouvido médio e podem ajudar na investigação de determinados quadros relacionados à pressão e à mobilidade do sistema tímpano ossicular.

Nasofibroscopia

Em situações selecionadas, o otorrinolaringologista pode avaliar a região posterior do nariz, onde a tuba auditiva se comunica com a nasofaringe.

O consenso internacional sobre disfunção tubária inclui otoscopia, timpanometria, audiometria e nasofaringoscopia, quando apropriada, entre os componentes relevantes da avaliação.

Ouvido tampado com exame normal existe?

Sim.

A sensação é real mesmo quando não existe literalmente um objeto “entupindo” o canal auditivo.

Existem pacientes com plenitude auricular cujos exames iniciais do ouvido não mostram uma causa óbvia.

Nessas situações, o diagnóstico diferencial pode exigir investigação de:

  • disfunções intermitentes da tuba auditiva
    • alterações temporomandibulares
    • condições auditivas específicas
    • outros problemas conforme os sintomas associados

Em um estudo com pacientes cuja queixa principal era plenitude auricular, pesquisadores observaram associação com disfunções temporomandibulares mesmo em participantes com tímpano e timpanometria normais. O estudo não significa que toda plenitude com exame normal seja DTM, mas demonstra por que o diagnóstico diferencial precisa ir além de procurar cera.

Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28103655/

Como é feito o tratamento do ouvido tampado?

Não existe um tratamento único porque “ouvido tampado” não representa uma única doença.

Possível causa Abordagem que pode ser considerada
Cerume impactado Manejo e remoção segura do cerume quando indicado
Disfunção da tuba auditiva Tratamento conforme o tipo e os fatores associados
Otite Tratamento específico conforme diagnóstico
Líquido no ouvido médio Avaliação da causa, evolução e necessidade de intervenção
Alteração por pressão Conduta conforme gravidade e persistência
Perda auditiva Investigação do tipo e tratamento correspondente
Perda auditiva súbita Avaliação médica rápida
DTM Avaliação e tratamento da condição temporomandibular quando confirmada

Essa é a razão pela qual tentar “destampar” todos os ouvidos da mesma maneira não é uma estratégia segura.

Como evitar novos episódios?

A prevenção também depende da causa.

Alguns cuidados gerais incluem:

  • não introduzir cotonetes ou objetos no canal auditivo
    • tratar adequadamente doenças nasais quando houver indicação
    • procurar orientação antes de mergulhos quando houver histórico de dificuldade de equalização
    • não utilizar gotas ou substâncias no ouvido sem saber se são adequadas
    • realizar avaliação quando episódios se repetem
    • acompanhar a audição quando houver fatores de risco

Perguntas frequentes sobre ouvido tampado

Perguntas frequentes sobre ouvido tampado

Ouvido tampado é sempre cera?

Não. Cera é uma causa possível, mas alterações de pressão, disfunção da tuba auditiva, infecções, líquido no ouvido médio e alterações auditivas também podem causar o sintoma.

Como saber se meu ouvido está tampado de cera?

Os sintomas podem sugerir cerume, mas a confirmação é feita pela visualização do canal auditivo.

O que fazer quando o ouvido está tampado?

Evite introduzir objetos ou utilizar substâncias indiscriminadamente. Observe quando o sintoma começou e quais sinais aparecem junto. Se persistir ou houver alteração auditiva, procure avaliação.

Quanto tempo pode durar a sensação de ouvido tampado?

Depende da causa. Alterações transitórias de pressão podem melhorar rapidamente, enquanto disfunções da tuba auditiva, líquido no ouvido médio, cerume ou outras doenças podem persistir. Não existe um prazo universal.

Ouvido tampado depois da gripe é normal?

Pode acontecer por alterações da ventilação do ouvido médio e da tuba auditiva. Se a sensação persistir ou estiver associada à redução importante da audição ou dor, procure avaliação.

Rinite pode deixar o ouvido tampado?

Processos inflamatórios nasais podem estar associados a alterações da tuba auditiva em alguns pacientes. A presença de rinite, entretanto, não deve ser considerada automaticamente a causa de toda plenitude auricular.

Por que meu ouvido estala quando engulo?

A tuba auditiva participa da equalização da pressão do ouvido médio e pode produzir sensações ou sons durante seus movimentos. Estalos persistentes associados a pressão ou audição abafada merecem avaliação quando incomodam ou permanecem.

Avião pode deixar o ouvido tampado por vários dias?

Pode ocorrer desconforto persistente depois de mudanças de pressão. Dor importante, redução auditiva, tontura ou sintomas prolongados precisam de avaliação.

Ouvido tampado pode ser perda auditiva?

Sim. Algumas perdas auditivas podem ser percebidas inicialmente como sensação de ouvido cheio ou abafado.

Ouvido tampado e zumbido é preocupante?

Depende do contexto. Quando surgem subitamente junto com redução da audição, principalmente em apenas um lado, precisam de avaliação rápida.

Ouvido tampado e tontura podem ser labirintite?

Não necessariamente. Diferentes doenças podem provocar esses sintomas. “Labirintite” não deve ser utilizada como explicação automática para toda tontura associada a sintomas auditivos.

Ouvido tampado de um lado merece investigação?

Sim, principalmente quando persiste, ocorre repetidamente ou está associado à perda auditiva, zumbido ou tontura.

Posso limpar o ouvido com cotonete?

Não é recomendado introduzir hastes no canal para remover cera. Elas podem empurrar o cerume mais profundamente e causar trauma.

Qual exame identifica a causa do ouvido tampado?

Depende da suspeita. Otoscopia, audiometria, timpanometria e outros exames podem ser utilizados conforme o quadro.

Quando devo procurar um otorrinolaringologista?

Quando a sensação persiste, volta frequentemente, apresenta dor, secreção, zumbido ou tontura, ou quando existe qualquer redução da audição. Diminuição auditiva súbita exige atenção rápida.

Seu ouvido continua tampado? Descobrir a causa é mais seguro do que tentar desentupir

A sensação de ouvido cheio pode parecer simples, mas ela não revela sozinha onde está o problema.

Às vezes existe uma rolha de cera. Em outras situações, o canal auditivo está completamente livre e a causa encontra-se na pressão do ouvido médio, na tuba auditiva ou na própria audição.

Por isso, insistir em cotonetes, gotas ou tentativas caseiras sem diagnóstico pode não apenas falhar, mas também atrasar a identificação do problema correto.

Se o ouvido está tampado há vários dias, o sintoma volta com frequência ou existe redução auditiva, zumbido, tontura, dor ou secreção, a avaliação com um otorrinolaringologista permite examinar o ouvido e definir a conduta adequada.

E se a audição diminuiu de repente, principalmente de apenas um lado, procure atendimento rapidamente. Nesse cenário, o objetivo não é esperar o ouvido “destampar”. É proteger a audição investigando a causa em tempo adequado.

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Fontes e referências

Post da Clínica Luiz Pires de Mello que inspirou a criação deste artigo:
https://www.instagram.com/p/Db3EA8nxJhM/

National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, Sudden Sensorineural Hearing Loss:
https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness

American Academy of Otolaryngology, Head and Neck Surgery, Clinical Practice Guideline: Sudden Hearing Loss:
https://www.entnet.org/quality-practice/quality-products/clinical-practice-guidelines/sudden-hearing-loss-update/

NHS, Earwax build up:
https://www.nhs.uk/conditions/earwax-build-up/

ENT Health, Earwax Prevention FAQs:
https://www.enthealth.org/be_ent_smart/earwax-prevention-faqs/

Schilder AGM et al. Eustachian tube dysfunction: consensus statement on definition, types, clinical presentation and diagnosis:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26347263/

Peng Y. Temporomandibular Joint Disorders as a Cause of Aural Fullness:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28103655/

Sobre o Autor

Responsável técnico pelo conteúdo:
Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello
Especialidade: Otorrinolaringologia

Este conteúdo foi desenvolvido com base na experiência clínica acumulada pela Clínica Luiz Pires de Mello, instituição dedicada à Otorrinolaringologia desde 1962. Com mais de seis décadas de atuação contínua, a clínica reúne tradição médica, precisão diagnóstica e atendimento centrado no paciente, contribuindo para a educação em saúde por meio de conteúdos informativos baseados em prática clínica e conhecimento científico.

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Unidade Icaraí: (21) 2612-2288, também WhatsApp
Exames audiométricos em Icaraí: (21) 2611-2587
Unidade Fonseca: (21) 2625-1818
Exames audiométricos no Fonseca: (21) 2625-3083

Os contatos estão publicados no site oficial da Clínica Luiz Pires de Mello.

https://clinicaluizpiresdemello.com.br/wp-content/uploads/2026/09/ouvido-tampado-causas-sinais-alerta.jpg 800 1200 Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello https://clinicaluizpiresdemello.com.br/wp-content/uploads/2018/12/logo_pires_de_mello-293x300.png Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello2026-08-19 06:00:142026-09-01 02:03:10Ouvido tampado: o que pode ser, como aliviar e quando procurar um otorrino

Perda auditiva: 10 sinais silenciosos de que sua audição pode estar diminuindo

7 de julho de 2026/em Audição, Exames Auditivos/por Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello

Muitas pessoas acreditam que a perda auditiva acontece de repente ou apenas em idosos. Na prática, ela costuma surgir de forma lenta e silenciosa. Os primeiros sinais podem ser tão discretos que passam despercebidos durante meses ou até anos.

Pedir para repetir uma frase, aumentar cada vez mais o volume da televisão, achar que as pessoas estão falando baixo ou ter dificuldade para entender conversas em locais movimentados são comportamentos frequentemente atribuídos à distração, ao cansaço ou ao envelhecimento. No entanto, eles também podem representar os primeiros sintomas de uma perda auditiva.

Quanto mais cedo essas alterações são identificadas, maiores são as chances de descobrir a causa, iniciar o tratamento adequado e preservar a capacidade de comunicação e a qualidade de vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (World Health Organization, WHO), mais de 1,5 bilhão de pessoas vivem com algum grau de perda auditiva no mundo, e muitas delas poderiam se beneficiar de diagnóstico e tratamento precoces. A organização destaca que a identificação precoce reduz impactos na comunicação, na cognição, na interação social e na saúde mental.

Fonte:
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/deafness-and-hearing-loss

Neste artigo, você entenderá como reconhecer os primeiros sinais da perda auditiva, por que eles costumam passar despercebidos e quando procurar um otorrinolaringologista para uma avaliação especializada.

Resposta rápida

A perda auditiva geralmente começa de forma gradual. Os primeiros sintomas incluem pedir para repetir frases com frequência, aumentar o volume da televisão, dificuldade para entender conversas em ambientes barulhentos, sensação de que as pessoas falam baixo e necessidade de fazer mais esforço para ouvir. Esses sinais não devem ser ignorados. O diagnóstico é realizado pelo médico otorrinolaringologista com apoio de exames como audiometria, imitanciometria e outros testes auditivos, permitindo definir o tratamento mais adequado para cada paciente.

A perda auditiva nem sempre é evidente e costuma diminuir lentamente

Na maioria dos casos, a perda auditiva não acontece de um dia para o outro.

O cérebro possui grande capacidade de adaptação. Quando a audição diminui gradualmente, a pessoa tende a compensar essa dificuldade sem perceber.

Ela passa a prestar mais atenção aos movimentos dos lábios, aproxima-se de quem está falando, aumenta discretamente o volume dos aparelhos eletrônicos ou simplesmente pede para repetir algumas palavras.

Como essas adaptações ocorrem aos poucos, muitos pacientes acreditam que estão ouvindo normalmente.

Na realidade, a audição já pode estar apresentando alterações importantes.

Nem sempre o problema é ouvir, mas entender

Um dos primeiros sinais da perda auditiva não é deixar de ouvir sons.

É deixar de compreender a fala.

Isso acontece porque determinadas frequências sonoras, especialmente aquelas responsáveis pela percepção das consoantes, passam a ser menos percebidas.

Como consequência, o paciente escuta que alguém falou, mas não consegue entender exatamente o que foi dito.

Essa situação costuma ser descrita com frases como:

“Eu escuto, mas não entendo.”

“As pessoas parecem falar para dentro.”

“Consigo ouvir a voz, mas não compreendo as palavras.”

Esse sintoma merece atenção porque pode indicar alterações auditivas ainda discretas, mas já capazes de comprometer a comunicação.

A família costuma perceber antes do paciente

É bastante comum que familiares notem os primeiros sinais antes da própria pessoa.

Filhos, cônjuges e amigos costumam observar mudanças como:

  • aumento frequente do volume da televisão
  • dificuldade para acompanhar conversas em grupo
  • respostas inadequadas durante diálogos
  • necessidade constante de repetir perguntas
  • aparente desatenção

Esses comportamentos muitas vezes são interpretados como distração ou falta de interesse.

Na realidade, podem representar uma dificuldade auditiva em desenvolvimento.

Segundo a World Health Organization, identificar esses sinais precocemente é uma das estratégias mais importantes para reduzir os impactos da perda auditiva sobre a qualidade de vida.

Fonte:
https://www.who.int/health-topics/hearing-loss

Os primeiros sinais da perda auditiva

Você pede para repetir as frases com frequência

Este costuma ser um dos primeiros sintomas percebidos.

No início, a dificuldade aparece apenas em algumas situações.

Depois, torna-se cada vez mais frequente.

A pessoa passa a utilizar expressões como:

  • “Pode repetir?”
  • “O que você disse?”
  • “Não entendi.”

Na maioria das vezes, o problema não está relacionado ao volume da voz de quem fala, mas à dificuldade de distinguir determinados sons da fala.

Quanto mais cedo esse sintoma for investigado, maiores são as possibilidades de identificar sua causa.

O volume da televisão aumenta sem que você perceba

Outro sinal muito comum é aumentar gradualmente o volume da televisão, do rádio ou do celular.

Esse comportamento normalmente acontece de forma inconsciente.

Enquanto a própria pessoa considera o volume confortável, familiares costumam achar que ele está excessivamente alto.

Esse é um dos sinais clássicos de perda auditiva progressiva.

Conversar em locais barulhentos ficou mais difícil

Restaurantes.

Shoppings.

Reuniões familiares.

Ambientes de trabalho.

Todos esses locais apresentam diversos sons competindo ao mesmo tempo.

Quando existe perda auditiva, o cérebro encontra maior dificuldade para separar a voz da pessoa que está falando do ruído ambiente.

Por isso, muitos pacientes relatam que conseguem conversar normalmente em locais silenciosos, mas praticamente deixam de entender as pessoas quando há muito barulho ao redor.

Esse sintoma costuma aparecer precocemente em diferentes tipos de perda auditiva.

Você escuta, mas não entende

Ouvir e compreender não são exatamente a mesma coisa.

O ouvido capta os sons.

O cérebro interpreta essas informações.

Quando determinadas frequências deixam de ser percebidas adequadamente, partes importantes das palavras desaparecem.

O resultado é uma sensação bastante característica.

A pessoa sabe que alguém falou.

Mas não consegue compreender a mensagem completa.

Esse sintoma frequentemente é confundido com distração, déficit de atenção ou falta de concentração.

Na realidade, pode representar um dos primeiros indícios de perda auditiva.

Você parece distraído durante as conversas

Algumas pessoas passam a evitar responder porque não têm certeza do que ouviram.

Outras sorriem, concordam ou mudam de assunto para esconder a dificuldade.

Esse comportamento pode ser interpretado como desatenção.

Entretanto, em muitos casos, ele representa apenas um esforço para lidar com uma audição que está diminuindo lentamente.

Quanto mais tempo essa situação permanece sem diagnóstico, maior tende a ser o impacto sobre a comunicação, a convivência familiar e a qualidade de vida.

Por que a perda auditiva acontece?

A perda auditiva não possui uma única causa. Ela pode surgir como consequência do envelhecimento natural, da exposição contínua ao ruído, de doenças do ouvido, infecções, fatores genéticos, uso de determinados medicamentos ou até alterações neurológicas.

Em alguns casos, a diminuição da audição acontece lentamente ao longo de anos. Em outros, ela pode surgir de forma súbita e exigir atendimento médico imediato.

Compreender a origem da perda auditiva é fundamental para definir o tratamento mais adequado e evitar a progressão do problema.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO), cerca de metade dos casos de perda auditiva poderiam ser prevenidos por meio de medidas de proteção auditiva, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Fonte:
https://www.who.int/health-topics/hearing-loss

Presbiacusia: o envelhecimento natural da audição

A presbiacusia é a causa mais frequente de perda auditiva em adultos e idosos.

Com o passar dos anos, as células sensoriais localizadas na cóclea sofrem um processo natural de desgaste.

Esse processo reduz principalmente a percepção dos sons mais agudos, dificultando a compreensão das palavras.

É por isso que muitas pessoas afirmam:

“Eu escuto a voz, mas não entendo o que foi dito.”

A presbiacusia costuma evoluir lentamente e acometer ambos os ouvidos de forma progressiva.

Quando diagnosticada precocemente, pode ser acompanhada e tratada para minimizar seus impactos sobre a comunicação.

Exposição prolongada ao ruído

A exposição frequente a sons intensos representa uma das principais causas evitáveis de perda auditiva.

Entre as situações de maior risco estão:

  • trabalho em ambientes industriais
  • construção civil
  • aeroportos
  • casas de shows
  • uso frequente de fones de ouvido em volume elevado
  • exposição prolongada à música alta

O excesso de ruído provoca lesões nas células ciliadas da cóclea.

Essas células não possuem capacidade de regeneração.

Por esse motivo, os danos auditivos provocados pelo ruído costumam ser permanentes.

A Organização Mundial da Saúde alerta que bilhões de jovens apresentam risco aumentado de perda auditiva devido ao uso inadequado de dispositivos sonoros pessoais.

Fonte:
https://www.who.int/news-room/questions-and-answers/item/deafness-and-hearing-loss-safe-listening

Otites podem comprometer a audição

As infecções do ouvido também podem provocar perda auditiva.

Em crianças, as otites médias são bastante frequentes e podem causar redução temporária da audição durante o período inflamatório.

Quando as infecções tornam-se recorrentes ou evoluem com complicações, existe risco de danos mais permanentes às estruturas do ouvido.

Nos adultos, alguns processos inflamatórios também podem comprometer a transmissão adequada do som.

Por isso, episódios repetidos de dor de ouvido merecem investigação especializada.

Otosclerose

A otosclerose é uma doença caracterizada pelo crescimento anormal do tecido ósseo ao redor do estribo, um dos pequenos ossos responsáveis pela transmissão do som no ouvido médio.

Esse processo reduz a movimentação do osso e dificulta a condução das ondas sonoras.

Os sintomas costumam surgir lentamente e incluem:

  • dificuldade para ouvir
  • necessidade de aumentar o volume da televisão
  • zumbido
  • dificuldade para compreender conversas

Dependendo do estágio da doença, existem diferentes possibilidades terapêuticas.

Doença de Ménière

A doença de Ménière afeta o ouvido interno e pode provocar episódios recorrentes de:

  • perda auditiva
  • zumbido
  • sensação de pressão no ouvido
  • vertigem intensa

Os sintomas costumam aparecer em crises e podem variar bastante entre os pacientes.

O acompanhamento com o otorrinolaringologista é fundamental para controlar a evolução da doença.

Rolha de cerúmen

Nem toda perda auditiva está relacionada a doenças permanentes.

O acúmulo excessivo de cerúmen pode bloquear parcialmente o canal auditivo e provocar:

  • sensação de ouvido tampado
  • redução da audição
  • zumbido
  • desconforto no ouvido

Nesses casos, a remoção do cerúmen realizada pelo profissional costuma restabelecer a audição imediatamente.

É importante evitar a introdução de hastes flexíveis ou outros objetos dentro do ouvido, pois isso pode empurrar ainda mais a cera para o interior do canal auditivo.

Trauma acústico

A exposição súbita a sons extremamente intensos também pode provocar perda auditiva.

Explosões.

Fogos de artifício.

Disparos de arma de fogo.

Máquinas muito ruidosas.

Esses eventos podem causar lesões imediatas nas estruturas da cóclea.

Dependendo da intensidade do trauma, a perda auditiva pode ser temporária ou permanente.

Medicamentos ototóxicos

Alguns medicamentos apresentam potencial para provocar lesões auditivas.

Entre eles estão determinados:

  • antibióticos
  • quimioterápicos
  • diuréticos específicos
  • medicamentos utilizados em situações clínicas especiais

A utilização desses medicamentos sempre deve ocorrer sob acompanhamento médico, considerando os benefícios e os riscos de cada tratamento.

Nem todos os pacientes apresentam alterações auditivas, mas essa possibilidade deve ser monitorada quando indicada.

Alterações neurológicas

Embora menos frequentes, algumas doenças neurológicas também podem interferir na audição.

Alterações que comprometem o nervo auditivo ou as vias responsáveis pelo processamento dos sons podem provocar dificuldade para compreender a fala, mesmo quando parte da audição permanece preservada.

Essas situações exigem investigação detalhada para definir a origem do problema.

Cada tipo de perda auditiva exige uma abordagem diferente

A perda auditiva não representa um diagnóstico único.

Ela pode ser classificada em diferentes tipos, como:

  • perda auditiva condutiva
  • perda auditiva neurossensorial
  • perda auditiva mista

Cada uma possui causas, exames e tratamentos específicos.

Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para identificar corretamente o tipo de alteração auditiva e definir a melhor estratégia terapêutica.

Segundo a Sociedade Brasileira de Otologia, reconhecer os primeiros sinais e realizar avaliação especializada aumenta significativamente as possibilidades de tratamento e reabilitação auditiva.

Fonte:
https://www.sbotologia.com.br/

Como é feito o diagnóstico da perda auditiva?

Identificar a causa da perda auditiva é o primeiro passo para definir o tratamento mais adequado. Como diferentes doenças podem provocar sintomas semelhantes, a avaliação não deve se limitar apenas à percepção de que a audição diminuiu.

O médico otorrinolaringologista realiza uma investigação detalhada que inclui a história clínica, exame físico do ouvido e exames auditivos específicos capazes de identificar o tipo, o grau e a possível origem da alteração.

Quanto mais cedo esse diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de preservar a audição e evitar que a dificuldade para ouvir comprometa a comunicação e a qualidade de vida.

Consulta com o otorrinolaringologista

A avaliação começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas.

O especialista procura entender:

  • quando a dificuldade para ouvir começou
  • se ela surgiu de forma lenta ou repentina
  • se acomete um ou ambos os ouvidos
  • se existe zumbido associado
  • se há episódios de tontura
  • histórico de infecções
  • exposição ao ruído
  • uso de medicamentos
  • antecedentes familiares

Essas informações ajudam a direcionar toda a investigação.

Otoscopia

Após a avaliação clínica, o médico examina o canal auditivo e a membrana do tímpano.

Esse exame permite identificar alterações como:

  • rolha de cerúmen
  • otites
  • perfuração timpânica
  • inflamações
  • alterações anatômicas

Em alguns casos, apenas essa avaliação já identifica uma causa tratável da perda auditiva.

Audiometria tonal

A audiometria tonal é o principal exame utilizado para avaliar a audição.

Durante o teste, o paciente utiliza fones de ouvido e responde aos sons apresentados em diferentes frequências e intensidades.

O exame permite determinar:

  • o grau da perda auditiva
  • quais frequências foram afetadas
  • se a alteração acomete um ou ambos os ouvidos
  • o tipo de perda auditiva

Essas informações são fundamentais para o planejamento terapêutico.

Audiometria vocal

A audiometria vocal complementa a audiometria tonal.

Enquanto a audiometria tonal mede a capacidade de ouvir sons, a audiometria vocal avalia a compreensão da fala.

Esse exame ajuda a explicar por que muitas pessoas dizem:

“Eu escuto, mas não entendo o que as pessoas falam.”

A avaliação da discriminação auditiva possui grande importância para definir a estratégia de tratamento.

Imitanciometria

A imitanciometria analisa o funcionamento da membrana timpânica e do ouvido médio.

Esse exame pode identificar alterações como:

  • líquido atrás do tímpano
  • disfunção da tuba auditiva
  • alterações na mobilidade timpânica
  • algumas doenças do ouvido médio

É frequentemente solicitado em conjunto com a audiometria.

Emissões otoacústicas

As emissões otoacústicas avaliam o funcionamento das células ciliadas externas da cóclea.

Esse exame é amplamente utilizado:

  • na triagem auditiva neonatal
  • em crianças
  • na investigação de perdas auditivas iniciais
  • no acompanhamento de pacientes expostos ao ruído

Por não depender da resposta ativa do paciente, é um exame bastante útil em diversas faixas etárias.

BERA

O Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico, conhecido como BERA, avalia a condução dos estímulos sonoros desde o ouvido até o tronco cerebral.

O exame costuma ser indicado quando existe necessidade de investigar:

  • alterações do nervo auditivo
  • perdas auditivas em crianças pequenas
  • dificuldades de comunicação
  • alterações neurológicas relacionadas à audição

O BERA é um exame objetivo e possui importante papel na investigação auditiva.

Existe tratamento para perda auditiva?

Sim.

O tratamento depende exclusivamente da causa identificada.

Nem toda perda auditiva é permanente.

Em muitos casos, ela pode ser revertida ou significativamente melhorada.

Entre as possibilidades terapêuticas estão:

Remoção de cerúmen

Quando o excesso de cera bloqueia o canal auditivo, sua remoção costuma restabelecer imediatamente a audição.

Tratamento das doenças do ouvido

Infecções, inflamações e algumas alterações do ouvido médio podem ser tratadas clinicamente ou cirurgicamente.

Aparelhos auditivos

Quando existe perda auditiva permanente e há indicação clínica, os aparelhos auditivos podem melhorar significativamente a comunicação e a qualidade de vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, milhões de pessoas que poderiam se beneficiar dos aparelhos auditivos ainda não recebem tratamento adequado.

Fonte:
https://www.who.int/health-topics/hearing-loss

Implante coclear

Em casos específicos de perda auditiva severa ou profunda, o implante coclear pode ser indicado após avaliação especializada.

Nem todos os pacientes possuem indicação para esse procedimento.

Reabilitação auditiva

Além dos recursos tecnológicos, muitos pacientes também se beneficiam de programas de reabilitação auditiva realizados por equipes multidisciplinares.

Audição normal × primeiros sinais de perda auditiva

Audição preservada Primeiros sinais de perda auditiva
Conversa sem esforço Pede para repetir frequentemente
Volume normal da televisão Volume cada vez mais alto
Boa compreensão da fala Ouve, mas não entende algumas palavras
Conversa confortável em ambientes barulhentos Dificuldade para entender em locais com ruído
Comunicação natural Necessidade constante de prestar mais atenção
Participação ativa em conversas Evita reuniões ou conversas em grupo

Como acontece a investigação da perda auditiva

Primeiros sinais

↓

Consulta com o otorrinolaringologista

↓

Otoscopia

↓

Audiometria
Imitanciometria
Audiometria vocal
Emissões otoacústicas
BERA quando indicado

↓

Identificação da causa

↓

Tratamento individualizado

Quando procurar um otorrinolaringologista?

Procure avaliação especializada se você:

✓ pede para repetir frases frequentemente

✓ aumenta constantemente o volume da televisão

✓ sente dificuldade para conversar em locais barulhentos

✓ escuta, mas não entende o que foi dito

✓ familiares comentam que você não está ouvindo bem

✓ percebe zumbido associado

✓ apresenta perda auditiva súbita

✓ sente que sua audição piorou nos últimos meses

Quanto mais cedo a avaliação é realizada, maiores são as chances de identificar causas tratáveis e preservar a audição.

Faq - Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Como saber se estou perdendo a audição?

Os primeiros sinais costumam incluir dificuldade para compreender conversas, necessidade de aumentar o volume da televisão, pedir para repetir frases e dificuldade para ouvir em ambientes barulhentos.

Pedir para repetir é sinal de perda auditiva?

Pode ser. Quando esse comportamento se torna frequente, é recomendável realizar uma avaliação auditiva.

Por que ouço, mas não entendo o que as pessoas falam?

Alguns tipos de perda auditiva comprometem principalmente a compreensão da fala, especialmente em ambientes com muito ruído.

A perda auditiva acontece apenas em idosos?

Não. Ela pode ocorrer em qualquer idade por diferentes causas, incluindo exposição ao ruído, infecções, fatores genéticos, medicamentos e doenças do ouvido.

Quando devo fazer uma audiometria?

Sempre que houver suspeita de redução da audição, zumbido persistente, dificuldade para compreender conversas ou encaminhamento do médico otorrinolaringologista.

A perda auditiva pode ser revertida?

Depende da causa. Algumas perdas auditivas são temporárias e tratáveis. Outras podem ser controladas por meio de aparelhos auditivos, implantes ou reabilitação.

Zumbido pode indicar perda auditiva?

Sim. O zumbido pode estar associado a diferentes alterações auditivas e merece investigação especializada.

Quais exames avaliam a audição?

Entre os principais estão audiometria tonal, audiometria vocal, imitanciometria, emissões otoacústicas e BERA.

Como prevenir a perda auditiva?

Evitar exposição prolongada ao ruído intenso, utilizar equipamentos de proteção auditiva quando necessário, controlar doenças do ouvido e realizar avaliações periódicas são medidas importantes.

Quando procurar um otorrinolaringologista?

Sempre que surgirem sintomas persistentes relacionados à audição ou quando familiares começarem a perceber mudanças na sua capacidade de ouvir.

Sua audição pode estar dando sinais antes que você perceba

A perda auditiva raramente começa de forma abrupta. Na maioria das vezes, ela evolui lentamente, por meio de pequenos sinais que podem passar despercebidos durante anos.

Quanto antes esses sinais são reconhecidos, maiores são as possibilidades de identificar a causa, preservar a audição e manter uma comunicação de qualidade.

Se você percebe que está pedindo para repetir frases com frequência, aumentando constantemente o volume da televisão ou encontrando dificuldade para compreender conversas, especialmente em ambientes barulhentos, uma avaliação com o otorrinolaringologista pode esclarecer o que está acontecendo e indicar a melhor conduta para o seu caso.

Referências

Post que inspirou este artigo: https://www.instagram.com/p/DaZCseZDtjI

Organização Mundial da Saúde (WHO) – Deafness and Hearing Loss

World Health Organization – Fact Sheet

Academia Brasileira de Audiologia

Sociedade Brasileira de Otologia

American Academy of Otolaryngology – Head and Neck Surgery

Responsável técnico pelo conteúdo:
Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello
Especialidade: Otorrinolaringologia

Este conteúdo foi desenvolvido com base na experiência clínica acumulada pela Clínica Luiz Pires de Mello, instituição dedicada à Otorrinolaringologia desde 1962. Com mais de seis décadas de atuação contínua, a clínica reúne tradição médica, precisão diagnóstica e atendimento centrado no paciente, contribuindo para a educação em saúde por meio de conteúdos informativos baseados em prática clínica e conhecimento científico.

https://clinicaluizpiresdemello.com.br/wp-content/uploads/2026/07/perda-auditiva-sinais-silenciosos.jpg 800 1200 Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello https://clinicaluizpiresdemello.com.br/wp-content/uploads/2018/12/logo_pires_de_mello-293x300.png Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello2026-07-07 19:06:422026-08-28 00:14:17Perda auditiva: 10 sinais silenciosos de que sua audição pode estar diminuindo

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Clínica Luiz Pires de Mello, Otorrinolaringologia, desde 1962

Clínica Luiz Pires de Mello

Comunicado

Um novo capítulo na história da Clínica Luiz Pires de Mello

Niterói, 24 de agosto de 2026

É com grande alegria que compartilhamos uma novidade muito especial.

Fundada em 1962 pelo Prof. Luiz Rogério Pires de Mello, a Clínica Luiz Pires de Mello construiu, ao longo de mais de seis décadas, uma trajetória marcada pela excelência médica, pelo cuidado e pela confiança de gerações de pacientes.

A partir de agora, a gestão da clínica passa a ser conduzida integralmente pela Dra. Andréa Pires de Mello, Dra. Gisella Pires de Mello e Dr. Rogério Pires de Mello Netto, com o apoio do Dr. Mauro Pereira de Azevedo.

Juntos, assumem este novo capítulo com profundo respeito por tudo o que foi construído e com o compromisso de dar continuidade a esse legado.

Queremos preservar aquilo que sempre foi essencial: a tradição, a excelência médica, o cuidado e o acolhimento.