Tratamento para tontura: por que descobrir a causa é o primeiro passo para melhorar
Revisão médica:
Dra. Andrea Pires de Mello, Otorrinolaringologista da Clínica Luiz Pires de Mello
CRM-RJ 52.51976-9 | RQE 33762
Otorrinolaringologista, Chefe do Centro de Pesquisa em Audição e Equilíbrio da Clínica Pires de Mello e Mestre pela Fiocruz. Atua no diagnóstico e tratamento das doenças do ouvido, nariz e garganta, com foco em distúrbios auditivos e do equilíbrio.
Dra. Ana Carolina Pires de Mello, Otorrinolaringologista da Clínica Luiz Pires de Mello
CRM-RJ 114485-5 | RQE 51789
Otorrinolaringologista e Otologista pela USP, com atuação clínica e cirúrgica em pacientes de todas as idades, especializada em doenças otológicas e cirurgias do ouvido.
Última revisão médica: 5 de outubro de 2026.
Quando tudo parece girar, o equilíbrio desaparece ou você precisa se apoiar de repente, a primeira vontade é fazer alguma coisa para a tontura passar.
Mas existe uma pergunta mais importante do que “qual remédio tomar?”:
Por que você está sentindo tontura?
Algumas pessoas precisam de uma manobra de reposicionamento. Outras podem se beneficiar da reabilitação vestibular. Em determinados casos, o tratamento precisa ser direcionado à enxaqueca, ao ouvido interno, a um medicamento em uso, à circulação ou a uma condição que nem sequer se origina no sistema vestibular.
É por isso que copiar o tratamento de outra pessoa pode não funcionar.
Tontura é um sintoma. O tratamento começa quando descobrimos o que está provocando esse sintoma.
Quando a causa está relacionada ao sistema vestibular, manobras específicas e exercícios de reabilitação vestibular podem fazer parte do tratamento. Mas simplesmente esperar que os episódios desapareçam não é a única opção quando a tontura se repete ou interfere na rotina. Texto colado
Se você sente tontura frequente, vertigem, desequilíbrio ou instabilidade ao caminhar, compreender a origem do problema é o passo que separa uma tentativa genérica de tratamento de uma conduta realmente direcionada.
Resposta rápida
Sim, tontura tem tratamento em muitas situações, mas não existe uma terapia única para todos os pacientes. O tratamento depende da causa. Algumas formas de vertigem respondem a manobras de reposicionamento, determinadas alterações vestibulares podem se beneficiar de reabilitação vestibular e outras causas exigem medicamentos, mudanças específicas de hábitos ou tratamento de outra condição clínica.
Se os episódios são recorrentes, o caminho mais seguro é primeiro investigar a causa da tontura e só depois definir a abordagem adequada.
Tontura tem tratamento?
Sim. Muitas causas de tontura podem ser tratadas ou controladas, mas a terapia precisa corresponder ao diagnóstico.
A palavra tontura pode representar sensações e doenças muito diferentes. Por isso, não existe um comprimido, exercício ou manobra capaz de resolver todos os casos.
O Manual MSD destaca que o tratamento de tontura e vertigem deve ser direcionado à causa encontrada durante a avaliação clínica.
Isso explica por que uma pessoa pode melhorar após uma manobra realizada no consultório, enquanto outra precisa de semanas de reabilitação vestibular e uma terceira seguirá um caminho terapêutico completamente diferente.
Tontura e vertigem são a mesma coisa?
Não exatamente. Tontura é um termo amplo. Vertigem é um tipo específico de tontura caracterizado pela sensação ilusória de movimento.
Uma pessoa pode usar a palavra “tontura” para descrever:
- sensação de que tudo está girando
• desequilíbrio
• instabilidade ao caminhar
• cabeça leve
• sensação de quase desmaio
• impressão de flutuação
• dificuldade para manter-se firme
Vertigem geralmente descreve a sensação de que a própria pessoa ou o ambiente está se movimentando quando isso não está realmente acontecendo.
O Manual MSD diferencia tontura como um termo impreciso usado para diferentes sensações e vertigem como uma percepção de movimento sem movimento real.
Fonte médica: https://www.msdmanuals.com/home/ear%2C-nose%2C-and-throat-disorders/symptoms-of-ear-disorders/dizziness-and-vertigo
Essa distinção é importante porque dois pacientes que dizem “estou tonto” podem estar descrevendo problemas completamente diferentes.
Por que não existe um único tratamento para tontura?
Porque o equilíbrio depende da integração entre diferentes sistemas do organismo.
O cérebro utiliza informações provenientes do sistema vestibular do ouvido interno, da visão e da sensibilidade corporal para compreender a posição e o movimento do corpo.
Além disso, alterações neurológicas, cardiovasculares, medicamentosas e outras condições podem produzir tontura ou desequilíbrio.
Por isso, a pergunta “qual é o melhor tratamento para tontura?” só pode ser respondida depois de uma segunda pergunta:
Qual é a causa desta tontura?
O mapa do tratamento
| Situação diagnosticada | Abordagem que pode ser utilizada |
| VPPB | Manobras de reposicionamento |
| Hipofunção vestibular | Reabilitação vestibular |
| Doença de Ménière | Tratamento específico conforme avaliação |
| Enxaqueca vestibular | Manejo direcionado à enxaqueca e aos sintomas vestibulares |
| Tontura relacionada a medicamento | Revisão do tratamento com o médico responsável |
| Causas neurológicas | Investigação e tratamento neurológico |
| Alterações hemodinâmicas ou cardiovasculares | Tratamento da condição responsável |
| Outras causas sistêmicas | Conduta direcionada à doença de base |
A expressão importante nessa tabela é “pode ser utilizada”.
Nenhuma abordagem deve ser escolhida apenas porque o paciente apresenta tontura.
Quais são as principais causas de tontura e vertigem?
Existem muitas possibilidades. Algumas se originam no sistema vestibular periférico. Outras envolvem o sistema nervoso central, circulação, medicamentos ou condições sistêmicas.
Vertigem Posicional Paroxística Benigna, VPPB
A VPPB é uma causa de vertigem provocada por determinadas mudanças de posição da cabeça.
O paciente pode relatar crises ao:
- virar na cama
• deitar
• levantar-se da cama
• olhar para cima
• inclinar a cabeça
A Bárány Society publicou critérios diagnósticos específicos para VPPB, reforçando que se trata de uma síndrome vestibular definida e não de qualquer tontura desencadeada por movimento.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29056234/
Hipofunção vestibular
Quando existe redução da função do sistema vestibular em um ou nos dois lados, podem aparecer:
- desequilíbrio
• instabilidade
• tontura
• dificuldade para caminhar
• visão borrada durante movimentos rápidos da cabeça
Nesses pacientes adequadamente selecionados, a reabilitação vestibular possui papel terapêutico importante.
Neurite vestibular
A neurite vestibular pode provocar uma crise intensa e prolongada de vertigem, geralmente acompanhada de náusea, desequilíbrio e dificuldade para caminhar.
Depois da fase mais aguda, alguns pacientes permanecem com instabilidade ou intolerância aos movimentos da cabeça devido à redução da função vestibular.
Nessa fase, a reabilitação vestibular pode ter papel importante na compensação e recuperação funcional quando existe hipofunção vestibular documentada.
Uma vertigem aguda e intensa, porém, não deve ser automaticamente considerada neurite vestibular. Algumas doenças neurológicas podem produzir manifestações semelhantes e precisam ser excluídas conforme o contexto clínico.
Doença de Ménière
A doença de Ménière pode causar crises espontâneas de vertigem associadas a alterações auditivas, como perda auditiva flutuante, zumbido ou sensação de ouvido cheio.
A diretriz clínica da American Academy of Otolaryngology, Head and Neck Surgery descreve diferentes possibilidades de tratamento, que podem envolver mudanças de estilo de vida, medicamentos e, em situações específicas, procedimentos.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32267799/
Enxaqueca vestibular
A enxaqueca vestibular pode produzir episódios de vertigem ou tontura mesmo quando a dor de cabeça não é o sintoma dominante em todas as crises.
A Bárány Society e a International Headache Society possuem critérios diagnósticos específicos para essa condição.
Uma revisão publicada em 2026 reforça que o tratamento da enxaqueca vestibular precisa ser individualizado. Estratégias podem incluir medidas relacionadas ao estilo de vida, prevenção da enxaqueca, manejo das crises e, em pacientes selecionados, reabilitação vestibular. Novas terapias vêm sendo estudadas, mas a evidência específica para enxaqueca vestibular ainda é heterogênea.
Fonte científica:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34719447/
Fonte científica atualizada:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42643076/
Tontura Postural-Perceptual Persistente, TPPP
Algumas pessoas apresentam tontura, instabilidade ou sensação de balanço durante meses, especialmente ao permanecer em pé, movimentar-se ou ficar em ambientes visualmente complexos, como supermercados, shoppings e locais com muito movimento.
Esse padrão pode ocorrer na Tontura Postural-Perceptual Persistente, conhecida pela sigla TPPP.
A TPPP é um distúrbio vestibular funcional crônico e não deve ser interpretada simplesmente como “tontura emocional” ou como ausência de uma doença real.
O tratamento pode exigir abordagem individualizada e multidisciplinar. A reabilitação vestibular pode fazer parte do manejo, e outras estratégias podem ser consideradas conforme as características clínicas e condições associadas.
Revisões científicas recentes reforçam o papel da reabilitação vestibular no tratamento de pacientes selecionados com TPPP, embora a qualidade e a força das evidências variem entre diferentes intervenções.
Fontes científicas:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41069431/
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41657061/
Tontura ao levantar
Nem toda tontura ao levantar é “labirinto”.
Alterações da pressão arterial ou da resposta cardiovascular à mudança de posição também podem provocar tontura, sensação de cabeça leve ou quase desmaio.
A Bárány Society possui critérios específicos para tontura e vertigem ortostáticas de origem hemodinâmica.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30883381/
Medicamentos
Determinados medicamentos podem provocar tontura ou piorar o equilíbrio.
Isso não significa que o paciente deva interromper uma medicação sozinho.
Quando existe suspeita de relação com um medicamento, a conduta deve ser discutida com o profissional responsável pela prescrição.
Causas neurológicas
Algumas alterações do sistema nervoso central também podem causar vertigem, desequilíbrio e dificuldade para caminhar.
Por isso, sintomas neurológicos associados modificam completamente a prioridade da avaliação.
Toda tontura é labirintite?
Não.
“Labirintite” tornou-se uma palavra popularmente utilizada para praticamente qualquer episódio de tontura, mas essa simplificação pode atrapalhar a investigação.
VPPB, doença de Ménière, enxaqueca vestibular, hipofunção vestibular, causas vasculares, alterações hemodinâmicas, medicamentos e condições neurológicas estão entre as diferentes possibilidades.
No blog da Clínica Luiz Pires de Mello há um artigo sobre investigação de tontura, que reforça que presumir que toda tontura significa labirintite é um erro frequente. Clínica Luiz Pires de Mello
Como os sintomas ajudam a descobrir a causa?
A descrição da tontura pode oferecer pistas importantes, mas não deve ser utilizada como ferramenta de autodiagnóstico.
Antes da consulta, tente organizar quatro informações.
Como é a sensação?
Pergunte a si mesmo:
- o ambiente gira?
• parece que você próprio está rodando?
• sente que vai desmaiar?
• fica instável ao caminhar?
• parece estar flutuando?
• sente a cabeça leve?
Você não precisa encontrar o termo médico correto.
Descreva a sensação com suas próprias palavras.
Quanto tempo dura?
Esse detalhe pode ser extremamente importante.
Uma crise dura:
- poucos segundos?
• minutos?
• horas?
• praticamente o dia inteiro?
• vários dias?
O que desencadeia?
Observe se existe relação com:
- virar na cama
• movimentar a cabeça
• levantar-se rapidamente
• ficar em pé
• ambientes visualmente movimentados
• atividade física
• ruídos
• determinadas posições
O que aparece junto?
Informe se a tontura ocorre com:
- zumbido
• perda auditiva
• ouvido tampado
• náuseas
• vômitos
• dor de cabeça
• visão dupla
• palpitações
• desmaio
• fraqueza
• dormência
• dificuldade para falar
O início, duração, desencadeadores e sintomas associados costumam ser mais úteis para o raciocínio clínico do que simplesmente dizer que a tontura é “forte”.
O que são as manobras para vertigem?
Existem manobras físicas utilizadas para tratar formas específicas de vertigem posicional.
Na VPPB, pequenas partículas do sistema vestibular, frequentemente chamadas popularmente de “cristais do ouvido”, encontram-se em uma posição inadequada dentro de estruturas do ouvido interno.
As manobras de reposicionamento procuram deslocar essas partículas para uma região em que deixem de provocar o estímulo vestibular responsável pelas crises.
A diretriz da American Academy of Otolaryngology recomenda procedimentos de reposicionamento canalicular como tratamento para VPPB do canal posterior e destaca a importância de diferenciar a VPPB de outras causas de tontura e desequilíbrio.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28248609/
O que é a manobra de Epley?
A manobra de Epley é uma técnica de reposicionamento utilizada principalmente em determinados casos de VPPB envolvendo o canal semicircular posterior.
Ela utiliza uma sequência de posicionamentos da cabeça e do corpo para favorecer o deslocamento das partículas envolvidas no quadro.
O ponto mais importante é este:
Epley não é uma manobra genérica para “labirintite”.
Antes de realizá-la, é necessário identificar se o padrão de sintomas e os testes posicionais são compatíveis com a condição para a qual ela é indicada.
Manobra de Epley funciona para qualquer tontura?
Não.
A manobra de Epley é utilizada para uma condição vestibular específica, principalmente a VPPB do canal semicircular posterior.
Tonturas causadas por doença de Ménière, enxaqueca vestibular, causas cardiovasculares, medicamentos ou problemas neurológicos não são tratadas simplesmente fazendo Epley.
A diretriz clínica de VPPB reforça tanto a utilização das manobras nos pacientes adequados quanto a necessidade de diferenciar VPPB de outras causas.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28248609/
Posso fazer uma manobra para tontura sozinho em casa?
Não é recomendável presumir o diagnóstico e iniciar uma manobra apenas porque a tontura aparece ao movimentar a cabeça.
Existem diferentes tipos de VPPB e diferentes estruturas vestibulares podem estar envolvidas.
Além disso, algumas pessoas apresentam limitações cervicais, vasculares, ortopédicas ou outras condições que precisam ser consideradas.
Uma avaliação inicial ajuda a determinar:
- se realmente existe VPPB
• qual lado está envolvido
• qual canal parece afetado
• qual manobra é adequada
• se há alguma limitação para sua realização
Em determinados pacientes, após diagnóstico e orientação profissional, exercícios ou manobras domiciliares podem fazer parte do acompanhamento.
O que é reabilitação vestibular?
Reabilitação vestibular é uma abordagem terapêutica baseada em exercícios individualizados para reduzir sintomas e melhorar equilíbrio, estabilidade do olhar, marcha e função em pacientes selecionados com alterações vestibulares.
Não se trata simplesmente de “fazer exercícios para tontura”.
A diretriz atualizada da Academy of Neurologic Physical Therapy encontrou evidência forte de benefício da reabilitação vestibular para adultos com hipofunção vestibular periférica unilateral ou bilateral.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34864777/
A reabilitação vestibular é baseada no diagnóstico otoneurológico e pode envolver exercícios específicos de olhos, cabeça e corpo, além de manobras nos casos indicados de VPPB.
Conheça os exames e recursos da clínica: https://clinicaluizpiresdemello.com.br/exames/
Para quem a reabilitação vestibular pode ser indicada?
Ela pode ser especialmente útil em pacientes selecionados com alterações vestibulares que provocam:
- instabilidade
• dificuldade ao caminhar
• tontura desencadeada por movimentos
• redução da estabilidade do olhar
• desequilíbrio persistente
• dificuldade de adaptação após determinadas lesões vestibulares
A indicação depende do diagnóstico.
Reabilitação vestibular não é um exercício genérico recomendado para toda pessoa que sente tontura.
A diretriz com forte evidência científica é direcionada especificamente a pacientes com hipofunção vestibular periférica.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34864777/
Como são os exercícios de reabilitação vestibular?
O programa pode trabalhar diferentes componentes conforme os déficits identificados.
Entre eles podem estar:
Estabilidade do olhar
Exercícios destinados a melhorar a capacidade de manter a visão estável durante movimentos da cabeça.
Equilíbrio
Atividades progressivas podem desafiar o controle postural em diferentes superfícies, posições e condições sensoriais.
Marcha
Em determinados casos, o treinamento envolve andar enquanto realiza movimentos ou tarefas capazes de desafiar o sistema de equilíbrio.
Habituação
Alguns exercícios utilizam exposição progressiva a movimentos ou situações que provocam sintomas para favorecer adaptação quando esse princípio é adequado ao diagnóstico.
A seleção, progressão e frequência devem ser individualizadas.
Quanto tempo dura a reabilitação vestibular?
Não existe uma duração única aplicável a todos os pacientes.
O tempo depende de:
- diagnóstico
• intensidade da alteração vestibular
• comprometimento unilateral ou bilateral
• limitações funcionais
• presença de outras doenças
• resposta ao tratamento
• adesão aos exercícios orientados
A diretriz de reabilitação vestibular recomenda que a evolução seja acompanhada por objetivos clínicos, melhora dos sintomas, equilíbrio, função vestibular e possível estabilização dos ganhos, em vez de tratar todos os pacientes durante exatamente o mesmo número de sessões.
As diretrizes oferecem referências gerais de duração para determinados diagnósticos, mas esses números não devem ser utilizados como receita individual. Em pessoas com hipofunção vestibular unilateral crônica, por exemplo, protocolos estudados frequentemente envolvem várias semanas de exercícios estruturados. Casos bilaterais podem exigir períodos mais prolongados. A frequência e a progressão precisam ser ajustadas aos déficits e à resposta de cada paciente.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34864777/
Exercícios para tontura podem ser feitos em casa?
Podem fazer parte do tratamento domiciliar em pacientes selecionados, mas devem ser prescritos de acordo com o problema identificado.
Copiar um vídeo ou uma sequência genérica da internet pode levar o paciente a realizar exercícios que não correspondem à sua condição.
A lógica é a mesma das manobras:
primeiro diagnóstico, depois exercício.
Remédio para tontura resolve o problema?
Depende da causa.
Medicamentos podem ter indicação em determinados quadros ou momentos do tratamento, mas não existe um “remédio para tontura” que resolva todas as doenças capazes de produzir esse sintoma.
Na VPPB típica, por exemplo, a diretriz clínica prioriza manobras de reposicionamento e recomenda não utilizar rotineiramente medicamentos supressores vestibulares, como anti histamínicos e benzodiazepínicos, como tratamento principal da condição.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28248609/
Em outras doenças vestibulares, medicamentos podem fazer parte do plano terapêutico.
O ponto central é não utilizar a mesma estratégia para diagnósticos diferentes.
O que fazer durante uma crise de tontura enquanto a causa ainda não foi identificada?
Durante uma crise, a prioridade imediata é reduzir o risco de queda e observar os sintomas associados.
Sente-se ou deite-se em um local seguro se estiver instável. Evite dirigir, subir escadas ou operar equipamentos enquanto houver vertigem ou desequilíbrio importante.
Não realize manobras de reposicionamento nem utilize medicamentos por conta própria apenas porque outra pessoa teve sintomas parecidos.
Observe quanto tempo o episódio dura, o que estava fazendo quando começou e se surgiram sinais como perda auditiva, zumbido, dor de cabeça intensa, visão dupla, fraqueza, dormência, alteração da fala ou dificuldade importante para caminhar.
Se a tontura for nova e intensa ou estiver acompanhada de sinais de alerta, procure atendimento médico de urgência.
Por que tomar remédio por conta própria pode atrapalhar?
Existem dois problemas principais.
Primeiro, a medicação pode simplesmente não tratar a causa real.
Segundo, o uso inadequado pode mascarar sintomas, provocar efeitos adversos ou dificultar partes da avaliação vestibular.
“A Clínica Luiz Pires de Mello orienta que medicamentos não sejam suspensos antes de exames otoneurológicos sem autorização médica. Clínica Luiz Pires de Mello”
Portanto, não inicie nem interrompa tratamentos por conta própria para tentar controlar episódios recorrentes de tontura.
Como descobrir qual tratamento é adequado para minha tontura?
O tratamento correto nasce da combinação entre história clínica, exame físico e exames complementares quando eles realmente são necessários.
Durante a consulta, o especialista procura identificar:
- como a tontura começou
• duração dos episódios
• fatores desencadeantes
• sintomas auditivos associados
• histórico de enxaqueca
• medicamentos utilizados
• doenças pré existentes
• alterações neurológicas ou cardiovasculares
• achados dos testes clínicos de equilíbrio
Quando a hipótese diagnóstica exige aprofundamento, exames especializados podem avaliar componentes diferentes do sistema vestibular.
O Blog da Clínica Luiz Pires de Mello possui um conteúdo específico sobre a investigação da causa da tontura, incluindo VNG, vectoeletronistagmografia, vHIT, VEMP e outros recursos. Clínica Luiz Pires de Mello
Quais exames podem ser necessários para investigar tontura?
Nem todo paciente precisa realizar todos os exames disponíveis.
A escolha depende da hipótese clínica.
Videonistagmografia
Pode avaliar movimentos oculares relacionados ao sistema vestibular e contribuir para a investigação de vertigem, tontura e instabilidade.
A Clínica Luiz Pires de Mello disponibiliza videonistagmografia para avaliação de pacientes com distúrbios do equilíbrio. Clínica Luiz Pires de Mello
Vectoeletronistagmografia
A avaliação otoneurológica com vectoeletronistagmografia pode estudar respostas do sistema vestibular por diferentes testes e provas calóricas.
vHIT
O Video Head Impulse Test avalia o reflexo vestíbulo ocular em frequências mais altas de movimento da cabeça.
Esse tipo de exame pode ajudar na avaliação funcional dos canais semicirculares em situações selecionadas.
VEMP
Os Potenciais Evocados Miogênicos Vestibulares avaliam respostas relacionadas a estruturas otolíticas do sistema vestibular.
A clínica descreve VEMP cervical para avaliação relacionada ao sáculo e VEMP ocular relacionado ao utrículo. Clínica Luiz Pires de Mello
Audiometria
Quando existe zumbido, ouvido tampado ou suspeita de alteração auditiva associada, a audiometria pode contribuir para compreender melhor o quadro.
Outros exames
Exames de imagem, laboratoriais, cardiovasculares ou neurológicos podem ser necessários quando a história clínica sugere uma origem fora do sistema vestibular periférico.
Por isso, mais exames não significam necessariamente um diagnóstico melhor.
O melhor exame é aquele que responde à hipótese clínica correta.
Tontura com zumbido significa problema no labirinto?
Não necessariamente.
Zumbido e tontura podem aparecer simultaneamente em algumas doenças do ouvido interno, como a doença de Ménière, mas essa combinação não permite fechar um diagnóstico sozinha.
A diretriz de Ménière descreve vertigem episódica associada a perda auditiva documentada e sintomas aurais flutuantes, como zumbido ou plenitude no ouvido afetado.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32267799/
Quando existe zumbido junto com tontura, também é importante informar se há:
- perda auditiva
• ouvido tampado
• sensação de pressão
• sintomas em um ou nos dois ouvidos
• relação temporal entre zumbido e crise
Quando tontura é sinal de alerta?
A maior parte das causas de tontura não representa uma emergência. Entretanto, algumas combinações de sintomas exigem atendimento rápido.
Procure atendimento de urgência diante de tontura ou vertigem nova e intensa acompanhada de sinais como:
- fraqueza ou dormência em braço, perna ou face
• dificuldade para falar
• confusão
• visão dupla
• desmaio
• convulsão
• dificuldade importante para caminhar
• dor de cabeça súbita e muito intensa
• dor no peito
• falta de ar
• alteração auditiva súbita
• vômitos persistentes
A Mayo Clinic recomenda assistência emergencial quando tontura ou vertigem nova e grave ocorre associada a manifestações neurológicas, cardiovasculares, alteração súbita da audição, dificuldade para caminhar ou vômitos contínuos.
Fonte médica: https://www.mayoclinic.org/symptoms/dizziness/basics/when-to-see-doctor/sym-20050886
Nessas situações, a prioridade não é esperar uma consulta eletiva para “tratar a labirintite”.
É receber avaliação médica adequada à urgência do quadro.
Quando procurar um otorrinolaringologista ou avaliação otoneurológica?
Procure avaliação quando:
- a tontura volta repetidamente
• os episódios interferem no trabalho ou na rotina
• há vertigem ao movimentar a cabeça
• existe desequilíbrio persistente
• você passou a evitar movimentos por medo da tontura
• há zumbido ou alteração auditiva associada
• as crises permanecem sem diagnóstico
• medicamentos não resolveram o problema
• você já caiu ou precisa se apoiar durante os episódios
A Otoneurologia atua justamente na investigação de sintomas relacionados ao equilíbrio e à interface entre audição, sistema vestibular e sistema nervoso.
Perguntas frequentes sobre tratamento para tontura
Qual é o melhor tratamento para tontura?
Não existe um tratamento único. A melhor abordagem depende da causa. VPPB pode responder a manobras, hipofunção vestibular pode se beneficiar de reabilitação e outras condições exigem estratégias diferentes.
Tontura tem cura?
Algumas causas podem ser resolvidas. Outras são controladas ao longo do tempo. O prognóstico depende do diagnóstico e das características de cada paciente.
Toda tontura é labirintite?
Não. VPPB, doença de Ménière, enxaqueca vestibular, alterações neurológicas, medicamentos e problemas circulatórios estão entre várias possibilidades.
Qual é a diferença entre tontura e vertigem?
Tontura é um termo amplo. Vertigem é um tipo de tontura em que existe sensação de movimento da própria pessoa ou do ambiente quando não há movimento real.
O que fazer quando parece que tudo está girando?
Sente-se ou deite-se em local seguro para reduzir o risco de queda. Se o episódio for novo, muito intenso ou acompanhado de sinais de alerta neurológicos, alteração auditiva súbita, desmaio ou outros sintomas importantes, procure atendimento médico.
Tontura ao virar na cama pode ser VPPB?
Pode ser uma possibilidade, mas não é possível confirmar VPPB apenas pela descrição. O diagnóstico utiliza história clínica e testes posicionais específicos.
O que é a manobra de Epley?
É uma manobra de reposicionamento utilizada principalmente para determinados casos de VPPB do canal semicircular posterior.
A manobra de Epley serve para qualquer tontura?
Não. Ela não trata todas as causas de tontura e não deve ser utilizada como manobra genérica para “labirintite”.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28248609/
Quem pode realizar manobras para vertigem?
Profissionais capacitados podem realizar as manobras após avaliação adequada. Em determinados casos, exercícios domiciliares podem ser orientados posteriormente.
O que é reabilitação vestibular?
É uma terapia baseada em exercícios individualizados para melhorar equilíbrio, estabilidade do olhar, marcha e função em pacientes selecionados com alterações vestibulares.
Reabilitação vestibular funciona?
Sim, para pacientes adequadamente selecionados. Existe forte evidência científica de benefício em adultos com hipofunção vestibular periférica unilateral ou bilateral.
Fonte científica: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34864777/
Quem precisa de reabilitação vestibular?
A indicação depende do diagnóstico e das limitações encontradas na avaliação. Nem toda pessoa com tontura precisa desse tipo de tratamento.
Quanto tempo dura a reabilitação vestibular?
Não existe um tempo único. Diagnóstico, gravidade, resposta terapêutica e objetivos funcionais influenciam a duração.
Exercícios para tontura podem ser feitos em casa?
Podem ser orientados para determinados pacientes, mas o ideal é que façam parte de um plano definido após diagnóstico e avaliação das limitações individuais.
Remédio resolve a tontura?
Depende da causa. Medicamentos podem ser úteis em algumas doenças, mas não são tratamento universal. Na VPPB típica, por exemplo, as manobras são priorizadas. PubMed
Qual exame descobre a causa da tontura?
Não existe um único exame para todas as tonturas. VNG, vectoeletronistagmografia, vHIT, VEMP, audiometria e outros exames podem ser utilizados de acordo com a hipótese clínica.
Tontura com zumbido significa problema no labirinto?
Pode ocorrer em doenças vestibulares, mas a combinação também precisa ser interpretada juntamente com audição, duração das crises e demais sintomas.
Quando a tontura precisa de atendimento urgente?
Quando é nova e intensa e aparece com fraqueza, dormência, alteração da fala, visão dupla, desmaio, dificuldade importante para caminhar, dor de cabeça súbita intensa, alteração auditiva súbita ou vômitos persistentes.
Fonte: https://www.mayoclinic.org/symptoms/dizziness/basics/when-to-see-doctor/sym-20050886
A tontura voltou? Não espere apenas ela passar de novo
Quando as crises se repetem, o objetivo não deve ser simplesmente descobrir alguma coisa que faça a tontura desaparecer naquele momento.
É preciso entender por que ela voltou.
Às vezes, o tratamento realmente pode ser uma manobra. Em outros casos, o caminho envolve reabilitação vestibular. Há situações em que medicamentos, tratamento da enxaqueca, investigação neurológica ou controle de outra doença serão mais importantes.
Não existe “o tratamento da tontura”. Existe o tratamento da causa da tontura.
Se episódios de vertigem, instabilidade ou perda de equilíbrio já estão interferindo na sua rotina, uma avaliação otoneurológica pode ajudar a identificar a origem dos sintomas e definir qual caminho terapêutico faz sentido para o seu caso.
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Sobre o Autor
Responsável técnico pelo conteúdo:
Equipe médica da Clínica Luiz Pires de Mello
Especialidade: Otorrinolaringologia
Este conteúdo foi desenvolvido com base na experiência clínica acumulada pela Clínica Luiz Pires de Mello, instituição dedicada à Otorrinolaringologia desde 1962. Com mais de seis décadas de atuação contínua, a clínica reúne tradição médica, precisão diagnóstica e atendimento centrado no paciente, contribuindo para a educação em saúde por meio de conteúdos informativos baseados em prática clínica e conhecimento científico.
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Fontes oficiais, acadêmicas e científicas
Post da Clínica Luiz Pires de Mello que inspirou este artigo:
https://www.instagram.com/p/Dc9PmDHpUFo/
American Academy of Otolaryngology, Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28248609/
Academy of Neurologic Physical Therapy, Vestibular Rehabilitation for Peripheral Vestibular Hypofunction:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34864777/
American Academy of Otolaryngology, Clinical Practice Guideline: Ménière’s Disease:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32267799/
Bárány Society, Vestibular Migraine Diagnostic Criteria:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34719447/
Bárány Society, BPPV Diagnostic Criteria:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29056234/
Bárány Society, Hemodynamic Orthostatic Dizziness and Vertigo:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30883381/
MSD Manuals, Dizziness and Vertigo:
https://www.msdmanuals.com/professional/ear-nose-and-throat-disorders/approach-to-the-patient-with-ear-problems/dizziness-and-vertigo
Mayo Clinic, Dizziness: When to see a doctor:
https://www.mayoclinic.org/symptoms/dizziness/basics/when-to-see-doctor/sym-20050886
Clínica Luiz Pires de Mello, Exames otoneurológicos especializados:
https://clinicaluizpiresdemello.com.br/exame-para-descobrir-tontura/
Clínica Luiz Pires de Mello, Exames e Reabilitação Vestibular:
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